0
 

Encerrada após três dias de intensa programação, a mais recente edição do Festival Amazônia Queer fez de Alter do Chão um território de criação artística, articulação política e celebração das existências LGBTQIAPN+ na Amazônia. Com acesso gratuito, o evento atraiu grande público e apresentou uma proposta curatorial que articulou tradição cultural, linguagens contemporâneas e afirmação da diversidade no Baixo Tapajós.

Foto: Bárbara Vale

Durante a programação, a ocupação da tradicional roda de carimbó Quinta do Mestre reuniu manifestações de matriz ancestral e expressões artísticas atuais. As apresentações do Coletivo de Mestres de Alter do Chão, acompanhadas das encenações do Boto Tucuxi e do Boto Cor-de-Rosa, dialogaram com performances de grupos como Karuana e Suraras do Tapajós. O espetáculo realçou o protagonismo feminino, indígena e LGBTQIAPN+, evidenciando continuidades e reinvenções da cultura amazônica.

A incorporação da cultura Ballroom, sob comando da DJ Pedrita, marcou um dos pontos altos do festival ao transformar o espaço em um ambiente de celebração dos corpos e identidades dissidentes. A pista esbanjou o sentimento coletivo de pertencimento, liberdade e afirmação. No mesmo sentido, o show de Raidol destacou-se ao apresentar um pop amazônico atravessado por sensualidade, romantismo e referências dançantes.

A programação musical também contou com apresentações de forte impacto emocional e interação direta com o público. O show de Rawi se destacou pelo caráter intenso e catártico, enquanto AQNO apresentou um repertório que transitou entre bregas, reggae e composições autorais. DJs e performers de diferentes cidades amazônicas ampliaram o alcance territorial do festival, com participações de Santarém, Altamira, representada por A Princesinha do Xingu, e Manaus, com a DJ Noologia.

Foto: Bárbara Vale

Para além das apresentações artísticas, o Festival Amazônia Queer manteve uma agenda contínua de atividades formativas e de reflexão. Rondas de conversa abordaram temas ligados à inclusão, aos direitos e às políticas públicas voltadas à população LGBTQIAPN+. A programação incluiu ainda feira criativa e exposições de arte, impulsionando a economia criativa local e dando visibilidade ao trabalho de artistas e empreendedores do território.

Realizado pelo Alter do Som, o festival contou com patrocínio de instituições como Banco da Amazônia, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Correios através da Lei Rouanet Norte e com apoio do Ministério da Cultura.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

A PEC e Lei do Divórcio de Carneiro e o voto de Passarinho

Anterior

Rasteira no Pará: título de Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate foi para a Bahia

Próximo

Você pode gostar

Mais de Notícias

Comentários