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Uma ofensiva militar coordenada entre Estados Unidos e Israel atingiu pelo menos nove cidades iranianas no sábado (28), resultando na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, segundo anúncio feito pelo presidente estadunidense Donald Trump. A operação, que incluiu bombardeios aéreos em larga escala, desencadeou retaliações imediatas, eleva o risco de guerra prolongada no Oriente Médio e provoca graves baixas civis, incluindo um ataque a uma escola de meninas no sul do país.

Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou: “Khamenei, uma das pessoas mais perversas da História, está morto”. Ele acrescentou: “Ele foi incapaz de escapar dos nossos sistemas de inteligência e de rastreamento altamente sofisticados e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos junto com ele, pudessem fazer.” O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu havia afirmado anteriormente que havia “muitos indícios” da morte do líder iraniano, sem confirmação oficial naquele momento.

Autoridades iranianas inicialmente classificaram as informações como guerra psicológica. Posteriormente, a conta oficial ligada ao aiatolá publicou imagem carregada de simbolismo religioso xiita, sugerindo sua morte. Além de Khamenei, autoridades israelenses informaram que foram mortos o chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, general Mohammad Pakpour; o ministro da Defesa, general Aziz Nasrizadeh; e Ali Shamkhani, ex-chefe da Marinha iraniana e conselheiro próximo do líder supremo.

Os bombardeios, iniciados por volta da 1h no horário local, tiveram como alvos declarados o programa nuclear iraniano, a indústria de mísseis e estruturas militares estratégicas. Israel informou ter atingido cerca de 500 alvos, incluindo instalações de mísseis balísticos e sistemas antiaéreos. Imagens de satélite indicaram danos extensos no complexo de alta segurança onde residia o líder supremo.

Trump afirmou que, além de neutralizar o programa nuclear, pretende promover mudança de regime em Teerã. Em vídeo dirigido à população iraniana, declarou: “Quando terminarmos, assumam o seu governo. Ele será de vocês para assumir.” Netanyahu também defendeu que a ofensiva criaria condições para que iranianos se levantassem contra o governo.

A declaração explícita de mudança de regime como objetivo militar amplia a gravidade do conflito. O regime iraniano é condenado de todos os pontos de vista dos direitos humanos, responsável por graves violações deles. Intervenções externas desta magnitude, entretanto, geram instabilidade prolongada, crises humanitárias e radicalização política. A experiência recente da região demonstra que a destruição de estruturas de poder por meio da guerra armada não garante transição democrática.

A reação iraniana foi imediata. Mísseis balísticos foram lançados contra Israel e contra bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait, que abrigam instalações militares estadunidenses, relataram ataques. A Jordânia também foi atingida. Detritos de mísseis causaram ao menos uma morte nos Emirados, segundo autoridades locais.

O conflito interrompeu o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Empresas de navegação suspenderam operações, e a Administração Marítima dos Estados Unidos recomendou evitar o Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária declarou a área insegura para navegação comercial. O impacto imediato é a pressão sobre preços globais de energia e risco de recessão em economias dependentes do petróleo.

Enquanto líderes do Canadá e da Austrália manifestaram apoio à ação estadunidense, diversos governos pediram contenção. Analistas alertam que a escalada pode se transformar em guerra prolongada, com participação de aliados regionais do Irã no Líbano, Iêmen e Iraque.

O episódio mais grave da ofensiva ocorreu na cidade de Minab, na província de Hormozgan. Mídias estatais iranianas informaram que um ataque israelense atingiu a escola primária de meninas Shajarah Tayyebeh, próxima a uma base naval. Segundo a agência Tasnim, o número de mortos chegou a 85, com 63 feridos. A agência IRNA relatou 85 mortos e 93 feridos. Trabalhadores continuavam removendo escombros na tarde de sábado. O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou o episódio como crime e denunciou violação do direito internacional.

Não houve reação imediata de Washington ou Tel Aviv às alegações específicas sobre o ataque à escola. Independentemente das disputas políticas e da oposição internacional ao regime iraniano, o bombardeio de instalações civis, especialmente uma escola de meninas, constitui violação grave das normas humanitárias e deve ser condenado sem ambiguidades. Ataques contra crianças não podem ser relativizados sob justificativa estratégica.

Screengrab/IRIB TV via AFP/Via Al Jazeera

Os bombardeiros ocorreram após semanas de tensão. Trump vinha ameaçando ações militares, inicialmente indicando possibilidade de ataques limitados para pressionar Teerã a aceitar termos mais rígidos sobre seu programa nuclear. Negociações mediadas realizadas na quinta-feira anterior fracassaram. No ano passado, bombardeios conjuntos já haviam danificado instalações nucleares iranianas, embora avaliações posteriores tenham indicado que o programa foi degradado, não destruído.

O aiatolá Ali Khamenei governava o Irã desde 1989, após suceder o fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini. A escolha de um novo líder cabe à Assembleia dos Peritos, órgão clerical conservador que já vinha discutindo sucessão devido à idade avançada de Khamenei. A eventual substituição pode gerar disputa interna de poder, mas não há garantia de mudança estrutural imediata.

Especialistas divergem sobre a viabilidade de uma derrubada do regime por meio de ataques aéreos. O Estado iraniano mantém aparato de segurança robusto, com milhões de apoiadores e milícias armadas. Há incerteza sobre a disposição da população em se mobilizar sob bombardeio externo, especialmente após repressões anteriores que resultaram em milhares de mortes.

A ofensiva representa um dos momentos mais críticos do Oriente Médio nas últimas décadas. A condenação ao autoritarismo iraniano não elimina a responsabilidade internacional de evitar escalada bélica, proteger vidas civis e respeitar normas humanitárias fundamentais.

Foto em destaque: Khamenei.ir (CC BY 4.0)

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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