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Neste domingo (18), no Mangueirão, o Clube do Remo conquistou a Supercopa Grão-Pará 2026, ao vencer o Águia de Marabá por 2 a 1, em um jogo que mesclou emoção e polêmica. Depois de sair atrás no placar, com gol de PH para o Águia, o Remo virou a partida na etapa final com Yago Pikachu e Eduardo Melo – este, já no final do jogo –, garantindo a primeira taça da temporada e marcando a estreia de Pikachu com a camisa azulina.

O embate, que abriu oficialmente o calendário do futebol paraense, foi disputado diante de uma grande presença de torcedores no Mangueirão. O Remo demonstrou um poder de reação impressionante após sofrer o primeiro gol, ajustando seu jogo e imprimindo ritmo ofensivo que trouxe a virada ainda nos minutos finais da partida.

No entanto, a conquista não chegou sem questionamentos. A semana que antecedeu a final foi marcada por uma forte controvérsia envolvendo o adiamento do jogo. Após a tragédia com o ônibus da equipe sub-20 do Águia, que deixou um membro da comissão técnica morto e outros feridos, a diretoria marabaense solicitou oficialmente a mudança da data da decisão, pedido que não foi atendido pelos responsáveis pelo jogo. A mudança de data também teria impacto no calendário do Remo, que não concordou com a realização da partida na terça, dia 20 de janeiro.

Antes de a bola rolar, o clima no estádio foi de respeito e emoção: houve homenagens e um minuto de silêncio em memória ao preparador físico Hecton Alves, que faleceu no acidente.

Dentro de campo, o Remo também aproveitou a final como um teste importante para os desafios de 2026, especialmente com a volta à Série A do Campeonato Brasileiro em vista, após 32 anos. O treinador Juan Carlos Osório, mesmo não contando com todos os novos contratados, fez experiências e ajustes que podem ser importantes para o início da temporada. Vale ressaltar que todo o processo azulino está ainda muito no início.

Mas nem tudo foi celebração: após a conquista, o presidente do Remo, Antônio Carlos Teixeira, criticou abertamente as condições do gramado do Mangueirão, apontando falhas que prejudicaram o desempenho das equipes e a qualidade do espetáculo. Essas falhas expostas em um jogo de tanta importância reacendem debates sobre infraestrutura no futebol local.

Ao final, o título da Supercopa Grão-Pará é motivo de orgulho para o Clube do Remo e sua torcida, não apenas pela conquista esportiva, mas pelo significado que extrapolou o placar. A edição de 2026 ficará marcada pelo jogo de emoções intensas, pelos debates sobre calendário e infraestrutura e pela capacidade de reação do time azulino, que inicia um novo ciclo mirando desafios maiores. Do outro lado, o Águia de Marabá mostrou dignidade e competitividade mesmo diante da dor.

Nesse contexto, a decisão dos jogadores do Remo de doarem as medalhas aos atletas adversários sintetizou o espírito da final, reafirmando o futebol como espaço de rivalidade dentro de campo, mas também de empatia, humanidade e respeito, valores que muitas vezes falam mais alto do que qualquer troféu.

Foto: Igor Silva

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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