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Nesta quinta-feira, 30 de maio, Donald Trump fez história ao se tornar o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a ser condenado por um crime. A decisão do júri em Nova York foi unânime, com os doze integrantes declarando Trump culpado em todas as 34 acusações de fraude contábil do caso Hush Money, relacionadas ao pagamento de US$ 130 mil para silenciar a atriz pornô Stormy Daniels durante a eleição de 2016, quando derrotou Hillary Clinton, do Partido Democrata. O juiz Juan Merchan ainda vai determinar a pena, que está prevista para dia 11 de julho. Na pior das hipóteses, Trump pode pegar até quatro anos de prisão. No entanto, analistas consideram pouco provável que ele vá para a cadeia, dado que as  acusações são de Classe E, considerados crimes leves em Nova York. Além disso, o juiz pode considerar atenuantes como ser a primeira condenação criminal de Trump, a natureza não violenta do crime, sua idade de quase 78 anos e seu histórico como ex-presidente.

Ao sair do tribunal, Trump atacou o juiz Juan Merchan e afirmou que o “verdadeiro veredito” virá em novembro, na eleição presidencial. Mesmo condenado, ele pode disputar a eleição e governar, caso vença, inclusive se estiver preso. Não há nenhuma lei estadunidense que impeça um condenado de concorrer à presidência: a constituição exige apenas que o candidato tenha nascido nos EUA, tenha pelo menos 35 anos de idade e resida no país há 14 anos. O ex-presidente insiste em afirmar que é vítima de perseguição política, acusando o julgamento de ser parte de uma campanha orquestrada pelo atual presidente, Joe Biden, para evitar seu retorno à Casa Branca.

O julgamento começou em 15 de abril, com a seleção dos jurados. A equipe de promotoria, liderada por Alvin Bragg, argumentou que Trump cometeu interferência eleitoral ao comprar o silêncio de Stormy Daniels na reta final da campanha de 2016. No tribunal, Daniels testemunhou que conheceu Trump em um torneio de golfe em 2006 e que tiveram uma relação sexual, algo que Trump nega. Michael Cohen, ex-advogado de Trump, pagou US$ 130 mil a Daniels para silenciar a história, posteriormente sendo reembolsado por Trump e registrando o pagamento como gasto advocatício. O esquema envolveu também David Pecker, diretor do tabloide “National Enquirer”, que ajudava a capturar e “matar” histórias potencialmente prejudiciais a Trump, pagando pela exclusividade das informações porém nunca publicando as matérias.

Trump ainda será julgado por tentar se manter no poder após a eleição de 2020, pela tentativa de reverter o resultado eleitoral na Geórgia e por manter documentos sigilosos após deixar a presidência. Nenhum desses julgamentos está previsto para este ano e Trump aposta em retornar à Casa Branca para usar o poder do cargo e resolver seus problemas judiciais. Sua condenação criminal marca um momento histórico no país, e são esperadas repercussões significativas para a eleição presidencial de 2024.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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