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O fim do capitalismo. O “feudalismo” da nova era. O apocalipse do emprego. As manchetes sobre IA generativa parecem uma distopia, mas é tão grave assim?


A resposta honesta é: sim e não.


✅ Sim, porque é fato que algumas atividades vão desaparecer ou perder força: Já dá pra imaginar um único profissional fazendo estratégia, UX/UI e desenvolvimento de aplicativos com IA. O mesmo ocorre no audiovisual e nas artes gráficas.


✅ Não, porque a história é teimosa: toda tecnologia que se estabelece cria novas demandas e, com elas, novas profissões. A The Economist do mês passado listou ocupações emergentes que, curiosamente, exigem habilidades bem humanas: treinamento, compatibilização, humanização, entre outras.


Todas as novas possibilidades profissionais com a IA seriam um alento se, no Brasil, tivéssemos uma política de desenvolvimento compatível com essa virada. A sensação é que Brasília corre mais para taxar e proibir do que para absorver e transformar a ameaça em bem-estar.


Ao olharmos para o nosso caso amazônico, isso vira urgência. Não basta temer: precisamos agir. E as universidades são peça-chave. Mesmo com cortes e precarização, elas concentram o que temos de melhor em recursos humanos, apropriando-se da IA e convertendo a ameaça em alavanca para um desenvolvimento sustentável.


Foi isso que vimos no Curso de Tecnologia em Produção Multimídia neste semestre: 17 projetos com IA aplicados a problemas reais da região, dos quais 4 premiados:
🏛️ ADRA: usa imagens e plantas para modelar em 3D prédios históricos abandonados, integrados ao Nano Banana.
🌳 Grow: mapeia ilhas de calor, promove a adoção de árvores e propõe reduzir a temperatura da cidade em 2 °C.
🗣️ Takohe: “tipo Duolingo” para línguas indígenas em risco de extinção.
📚 Jirau Vivo: gera teasers de autores paraenses para atrair novos leitores. @jirauvivo


E teve mais: produção cultural, guias turísticos, repositórios de cultura amazônica… prova de que IA não precisa ser só medo. Com conhecimento, ela pode ser domesticada — e usada a nosso favor.
Se você tivesse que escolher um problema da sua cidade para resolver com IA, qual seria?

Acilon Cavalcante
Arquiteto e urbanista apaixonado por cidades, histórias e pessoas. Tem mestrado em Artes, mestrado em Arquitetura e é doutorando em Mídias Digitais pela Universidade do Porto. Premiado em projetos de planejamento urbano, já atuou com governos e ONGs no Brasil, Canadá e Portugal, sempre conectando urbanismo, design participativo e sustentabilidade. Gosta de transformar dados em ideias e ideias em cidades mais humanas.

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