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Entrar em 250 ônibus, conversar com os passageiros, entregar panfletos com “dez razões pelas quais as crianças não devem trabalhar”; ver o envolvimento de todos os barraqueiros do mercado e feira da Pedreira, vestindo a camisa da campanha, enfeitando o local com faixas e cartazes contra o trabalho infantil, foi uma experiência inédita de juízes, promotores, procuradores do Trabalho, advogados, psicólogos e tantos outros profissionais, que saíram de seus gabinetes para viver as emoções das ruas, ontem, numa ação que mobilizou 500 pessoas só em Belém. Em quatro blitzen, foram abordadas 400 mil pessoas. Havia, também, 40 pontos de panfletagem em semáforos de grande movimento de Belém, Icoaraci e Ananindeua. Foram distribuídos 100 mil panfletos descrevendo os males que o trabalho infantil provoca com o trabalho precoce.
Hoje, Outeiro recebeu a caravana. E a articulação continua.

Ontem, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, a abertura oficial da ação foi em frente ao prédio do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, pelo presidente da Corte, Desembargador do Trabalho Francisco Sérgio Silva Rocha. “Trata-se de crianças, um ser humano em desenvolvimento, e por vezes nos esquecemos disso. A erradicação do trabalho infantil deve ser um compromisso assumido obrigatoriamente por cada um de nós, sob pena de deixarmos para nossos descendentes um mundo bem pior do que recebemos. Se lugar da criança é na escola e nessa questão somos todos juízes, sigamos juntos para a erradicação do trabalho infantil”, pregou.
A juíza titular da 5ª Vara do Trabalho de Belém, Zuíla Lima Dutra, membro da Comissão Nacional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil do TST/CSJT e gestora regional, acentuou que no Pará ainda existem 198 mil crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos, trabalhando, e conclamou a todos para participar da campanha contra a exploração infantil. “A infância é breve. O tempo de viver a infância não pode esperar. Esse tempo é hoje, é agora, declarou. O juiz titular da 1ª Vara de Execução Penal, Cláudio Rendeiro, fez várias performances educativas com seu personagem Epaminondas Gustavo.

Nos ônibus, depoimentos dos passageiros confirmaram o acerto da ação. “É um crime os pais aceitarem isso, porque a criança fica mais tempo no trabalho do que estudando, brincando, curtindo essa fase. Isso é triste! Eu tenho três filhos e jamais eles trabalharam quando criança, trabalham agora na fase adulta. Cartão vermelho para quem permite o trabalho infantil!”, disse Maria Darci Moraes, lavradora.  

Essa ​c​ampanha dentro dos ônibus foi maravilhosa para incentivar as pessoas a não aceitarem o trabalho infantil. Criança tem que estudar​. Eu trabalhei quando criança e hoje sei que a criança deve estar na escola, aprendendo para ter um futuro melhor. A campanha tem que continuar! Eu também preciso incentivar e visto a camisa!”, acrescentou o motorista de ônibus Leonardo Barbosa

As juízas Zuíla Dutra e Vanilza Malcher foram à feira da Pedreira, em um dos bairros mais populosos e populares da capital paraense, conversaram com feirantes e consumidores. A maioria aproveitou também para tirar dúvidas sobre trabalho infantil e outros direitos trabalhistas. 

Sônia​ Ferreira, dona de um salão de beleza, em pleno Dia dos Namorados, numa sexta-feira, quando o lucro é certo, largou o salão por algumas horas a fim de ajudar para colaborar na campanha. O mesmo gesto foi feito em diversos órgãos, instituições e empresas, entre os quais o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, em especial as 1ª, 2ª, 3ª e 4ª Varas da Infância e da Adolescência;  Ministério Público do Trabalho, Ministério Público do Estado do Pará, Associação dos Magistrados Trabalhistas da 8ª Região, Exército Brasileiro, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, Fecomércio/PA, Senac, Fiepa,  Sesi, Prefeitura de Belém, via Semob, Funpapa, Pacto Belém pela Vida, Guarda Municipal, Creas Ilka Brandão e Creas Comércio, Governo do Pará, via Polícia Militar, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros; Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém, Sindicato dos Rodoviários do Estado do Pará, Proativa, Faculdade de Belém e Faculdade Maurício de Nassau.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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