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Há seis anos publiquei esse texto, em homenagem a Paulinho Fonteles, que hoje completaria 54 anos e a Neuton Miranda, que completa hoje 16 anos de desaparecimento físico. Reproduzo para celebrar o dia 20 de fevereiro como dia da Memória, memória que precisa ser sempre reascendida, ainda mais nesses tempos de reconstrução do Brasil, para que não esqueçamos dos últimos anos, para que não se repitam.

Hoje o dia é dedicado à memória, a saudade que não é só lembrança, pois ainda mantemos viva a esperança. A esperança que foi a marca na vida de duas grandes pessoas, dois grandes homens, lutadores do povo, grandes comunistas.

Neuton Miranda e Paulo Fonteles Filho, quis o destino, marcaram definitivamente o dia 20 de fevereiro. Os dois, por caminhos diversos, fizeram o dia 20 de fevereiro ter a marca da memória, da memória e da luta.

Há dez anos, no dia 20 de fevereiro de 2010, o coração do calvo caboclo de Marabá, do velho comandante comunista, parou de bater. Neuton se encontrava em intensa atividade, comandava o mais amplo processo de regularização fundiária em áreas da União (mais de 60 mil famílias ribeirinhas foram contempladas com o revolucionário projeto Nossa Várzea). Ao mesmo tempo comandava o processo de reestruturação do PCdoB no Pará, combinava a sua experiência e de outros quadros com a promoção e o investimento em jovens militantes. Junto com isso, ia plantando as raízes de um projeto eleitoral que fizesse o PCdoB do Pará voltar a ter representação na Câmara dos Deputados.

Das muitas histórias contadas sobre os Guerrilheiros do Araguaia há uma que diz no processo de preparação da Guerrilha os militantes do PCdoB que estavam na região plantaram muitas batatas na floresta. Pois quando adentravam na mata, em geral, levavam um facão e um pouco de sal. As batatas anteriormente plantadas eram fundamentais para o alimento dos guerrilheiros que passavam dias na mata. Pode-se dizer, que Neuton Miranda plantou muitas batatas no solo paraense, batatas que ainda hoje alimentam a esperança da luta pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores.

Paulinho Fonteles também ajudou a eternizar o 20 de fevereiro como dia da memória. Há 54 anos, nos porões da Ditadura Militar, em um quartel de Brasília, sobre os berros histéricos dos torturadores que diziam que “filhos dessa raça não devem nascer”, Hecilda Veiga deu a luz ao menino Paulinho, seu primeiro filho com Paulo Fonteles. Ali se iniciou essa jornada épica da vida daquele menino, que cedo tornou-se homem e fez da vida um libelo a luta.

Paulinho nos deixou há um pouco mais de dois anos e se vivo fosse estaria completando 54 anos hoje. Quando nos deixou, Paulinho também, assim como Neuton, imprimia o melhor de seus esforços na luta em defesa dos Direitos Humanos. Comandava, junto com seus camaradas, o Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos. Uma das últimas atividades desenvolvidas por Paulinho foi um ato, que alertava do risco da besta fera do racismo chegar a Presidência da República.

20 de fevereiro, o dia que Neuton Miranda e Paulinho Fonteles fizeram, por caminhos distintos, se transformar em Dia da Memória. Hoje a saudade e não lembrança, pois a esperança é cada vez mais viva em nós, nos faz homenagear esses dois gigantes da luta por um Brasil justo, desenvolvido, democrático e socialista. Fica a nossa homenagem a Neuton Miranda e Paulinho Fonteles, não com minutos de silêncio (que é pouco para eles, que dedicaram a vida a luta), mas com a promessa de dedicarmos também nossas vidas a esta luta.

Neuton Miranda e Paulinho Fonteles, presentes!

Jorge Panzera
Jorge Panzera é membro do Comitê Central do PCdoB e de sua Comissão Política Nacional.

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