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Um senhor idoso xingou com palavras de baixo calão e empurrou seu carrinho de compras em cima de uma trabalhadora, hoje à tarde, na loja do supermercado Líder na Duque de Caxias, em Belém. Ele ainda se achava cheio de razões e ordenava que chamassem o gerente, confiando que “o cliente sempre tem razão”, raciocínio da maioria dos donos de negócios, que prefere que seus empregados sejam humilhados e agredidos a rechaçar um consumidor.

Um supervisor e um segurança ficaram por perto para evitar coisa pior, mas não se sentiram seguros a ponto de chamar a polícia para conter o agressor. A trabalhadora, nervosa e visivelmente abalada emocionalmente, sequer podia sair do local, porque ali exerce o seu labor.

Já soube que recepcionista em salão de beleza sofisticado frequentado por socialites parauaras foi esbofeteada sem a menor cerimônia, porque de algum modo desagradou a madame. E ninguém fez algo, nenhuma voz se ergueu em sua defesa. Menos ainda ela registrou BO na delegacia de polícia, porque perderia o emprego.

Essa realidade cruel, resquício de trezentos anos de escravidão oficial e de uma desigualdade social gritante, precisa mudar urgentemente.

Assistam ao vídeo.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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