O procurador do Ministério Público do Trabalho Sandoval Alves da Silva tomou posse na chefia da Procuradoria Regional do Trabalho da 8ª Região para o biênio de 2021-2023 enfatizando o papel decisivo do MPT na garantia dos direitos humanos. O…

Prevaleceu o bom senso e o cuidado com as pessoas. O prefeito Edmilson Rodrigues ouviu o secretário municipal de Saúde, Maurício Bezerra, e técnicos responsáveis pela vacinação e enfrentamento à Covid-19, e cancelou os desfiles das escolas de samba, blocos…

Começou hoje (27) às 8h e segue até às 17h a votação nas prévias do PSDB para escolher seu candidato à Presidência da República. O resultado, se tudo correr bem, deve ser anunciado às 20h. O partido passou a semana…

Em uma aula prática da Faculdade de Medicina da Unifamaz, ontem, o professor Marcus Vinícius Henriques de Brito, visivelmente impaciente com a aluna que deveria demonstrar intubação em um boneco, questionou a falta de lubrificação prévia do paciente, ao que…

Descalabro em Anajás





A situação em Anajás,
município do arquipélago do Marajó, beira o inacreditável, tal é a desfaçatez
com os princípios constitucionais, além da miséria e do abandono  históricos da região. Em recente audiência
pública – na qual a ausência do prefeito e secretariado foi eloquente – , o
Bispo do Marajó, Dom José Luiz Azcona, e a Irmã Henriqueta Cavalcante,
coordenadores da Comissão Justiça e Paz da CNBB Norte 2, ficaram indignados com
o drama local nas áreas de Saúde Pública, Educação e Segurança Pública, especialmente
os inúmeros casos de abusos sexuais e violência contra crianças, e fizeram
menção à necessidade do povo marajoara sair da inércia e, exercendo seu papel cidadão, lutar por uma nova história para seus filhos.
Um dos fatos mais
chocantes é a postura do único médico no município, Bira Barbosa, face ao
recente abuso sexual de 20 crianças, ao se recusar a fazer os exames de
conjunção carnal, e a falta de apoio da gestão municipal ao conselho tutelar.
Não existe Plano
Municipal de Saúde que defina as necessidades e melhor destinação dos recursos
repassados e organize a Atenção Básica com foco na melhoria do Posto de Saúde
da Família. Por outro lado, há problemas graves referentes à situação sanitária
do Hospital Municipal, detectada após 10 dias de fiscalização, e medicamentos
da farmácia do hospital estão em falta há pelo menos três meses. E se
não forem intensificadas as ações de vigilância epidemiológica da malária
diante do risco iminente do aumento no número de casos devido a interrupção
dessas ações, podem voltar os antigos indicadores de mais de 100 por cento da
população atingida pela doença. Os usuários do SUS não conseguem fichas para
consulta médica, o tratamento é desumano.
A produção
ambulatorial e de serviços próprios do Programa de Saúde da Família e do Agente
Comunitário de Saúde não  é digitalizada. O município já perdeu recursos e
equipes como consequência da falta de alimentação do banco de dados. A estrutura
da unidade de saúde é precária, inadequada, sem espaço para trabalhar. A zona rural está sem enfermeiro e os agentes sem coordenação, sem
monitoramento e acompanhamento das suas atividades. Falta combustível para que
os Agentes Comunitários de Saúde trabalhem em áreas extensas e distantes. Com sobrecarga,
a equipe de endemias abandonou a zona rural, não faz mais vigilância
sistemática de casos de malária com busca ativa. Pacientes graves transferidos
para Belém ou Breves são transportados pela rua, a pé ou em bicicletas, com
soro instalado, sob sol quente, sem respeito pela sua condição.
O hospital
municipal não dispõe de um só aparelho de ultrassonografia. Faltam lâmpadas nos
corredores, o laboratório ficou parado duas semanas porque o ar condicionado
estragou e ninguém consertou. Não há lençol nos leitos, o atendimento ao público
é de péssima qualidade, os usuários se queixam de que o médico, conhecido como Dr. Bira, maltrata as pessoas. Os postos
de saúde do interior estão sendo gerenciados por pessoas despreparadas, que
exercem o papel de técnico de enfermagem sem capacitação. A falta de organização
da campanha de vacina já teve como consequência a baixíssima cobertura. Os
postos de saúde da zona rural estão fechados. O ônibus escolar está parado há
anos na porta de uma escola e as lanchas “voadeiras” se deterioram abandonadas
na margem do rio Anajás, na frente da cidade.
A educação
é uma tragédia à parte. Denúncia de uma mãe sobre a qualidade da merenda na
escola Maria Iraneide foi apenas um dos pontos do descaso. De modo geral,
quando não tem merenda, os professores liberam os alunos mais cedo,
prejudicando o aprendizado. A Universidade em Anajás é
pleiteada em razão de que a pobreza é muito grande e ninguém tem dinheiro  para ir embora estudar fora; os estudantes
terminam o ensino médio e ficam sem perspectiva e com o futuro comprometido.
Por sinal, a população de Anajás pediu aos coordenadores da audiência pública
que intercedam junto ao governo do Estado para que a única escola de ensino
médio de Anajás volte a funcionar. Muitos alunos estão sem poder estudar. E
todos pedem a implantação do Programa Saúde na Escola, obrigatório pelo governo
federal.
Para se
ter uma ideia, o local de armazenamento da merenda escolar fica numa antiga
fábrica de palmito de um genro do prefeito (!). Proliferam
denúncias de que a merenda escolar está sendo desviada e usada no PSF e no
hospital municipal.  A filha advogada, Vanusa, é a principal
assessora do prefeito; na verdade ela é quem manda e decide as coisas para ele. Para
mascarar a situação, é contratada pela Câmara de vereadores, cujo
presidente é seu tio. A outra filha, Viviane, é
contadora da prefeitura, juntamente com seu marido, também contador. Sobrinhos
e cunhadas também fazem parte da administração municipal. O secretário adjunto
da Saúde é sobrinho do prefeito, não trabalha, é empresário e só cuida dos
próprios negócios, nem vai à secretaria, só de vez em quando. O irmão do
prefeito, ex- vereador, hoje é o chefe de empreitas para obras do município. A
secretária de Educação, Rosa Sardinha; a diretora de Ensino, Elza Sardinha; e a
chefe do Cartório Eleitoral, Ruth Helena Sardinha, são todas cunhadas do
prefeito.  Outro irmão do prefeito, Rosevar
Mendes, é o representante do município em Belém.
O prefeito
de Anajás também aluga as dependências do próprio hotel para a prefeitura, onde
hospeda o médico do hospital, e os dois advogados – Jussara e seu marido Jorge
-, onde instalou um escritório todo reformado para eles trabalharem. Ah! A
diretora da creche “Bolinha” é Isabel Sardinha, outra cunhada sortuda. A
coordenação pedagógica no município fica com dois sobrinhos do prefeito:
Benedito e Elisandra Sardinha.
Enquanto
isso, a população local grita contra a precariedade do transporte escolar, que
põe em risco a vida das crianças; clama por providências contra um diretor de
escola que pratica assédio sexual em troca de notas. Na escola Prudência de
Menezes os alunos fazem uso de drogas no horário do almoço, quando os vigias não
estão presentes. É rotineiro o uso de atestado médico por alguns professores, que em seguida são vistos passeando. Para piorar a
situação, o prefeito demitiu os instrutores que trabalhavam nas creches e 150
crianças ficaram desassistidas. E ninguém faz algo.
Na
audiência pública cidadãos disseram que a polícia só precisa decidir prender os
traficantes de drogas, já que sabe perfeitamente quem são e onde ficam.
O destino do
lixo urbano é outro problema, fica numa área próxima ao Laranjal, e está caindo
no rio.

necessidade de uma delegacia das mulheres diante de casos de violência e mau
atendimento por parte dos policiais do sexo masculino. Foi denunciado na
audiência pública que os agressores chegam antes, dão dinheiro e não são
presos. Uma mãe denunciou que sua filha foi violentada e o agressor continua
solto e impune e é vigia de uma escola.
A
segurança pública é balela em Anajás. Ninguém fiscaliza os barcos que
transportam drogas, em especial cocaína, maconha e crack. Muito menos os casos
de prostituição infantil dentro dos barcos, ou as embarcações que vão buscar
açaí. A Rede de justiça não funciona e Anajás se transformou em uma cidade sem lei.
Na comunidade do Igarapé
do Francês, os moradores deixaram claro que se sentem totalmente abandonados.
Crianças estão deixando de estudar porque o barco não passa para conduzi-las
até a escola; professoras trabalham somente duas ou três vezes ao mês; escolas estão
para cair de tão velhas; e a merenda escolar não chega. Na área da saúde, a
população não tem qualquer tipo de atendimento. Quando alguém adoece ou é picado por cobra tem que se locomover até a sede do município, e alguns chegam até morrer durante o
percurso. Há muitas crianças passando fome e para muitas delas, do Igarapé
Sa-Parará e da Vila Joviliano Pantoja (município de Chaves), “maconha se tornou
bombom de criança e adolescente”.
Outra situação gritante
é no que se refere ao serviço dos trabalhadores da fábrica de palmito: vivem em
espécie de escravidão. Os preços dos produtos vendidos pelos patrões para os
empregados são exorbitantes. Por exemplo: um litro de farinha chega a custar R$
12. Sem contar que nenhum tem carteira de trabalho assinada e todos ganham uma
miséria.

Membros do Conselho Tutelar e de Direito
denunciaram que sofrem perseguição por alguns policiais e pelo vice-prefeito,
chegando até a ameaça de morte. Um grupo de  adolescentes e seus responsáveis denunciou a
prática de dois PMs que já espancaram todos eles e vivem ameaçando-os. Um dos
jovens apresentou vídeo que confirma vários hematomas no corpo causados pelo
espancamento dos policiais. A Comissão Justiça e Paz encaminhará todas as
denúncias às autoridades competentes. O Bispo Dom José Azcona e a Irmã
Henriqueta já reuniram com o prefeito de Anajás, Vivaldo Mendes da Conceição(PP)
, o Boró, e insistiram nos pedidos de
medidas urgentes. 






Desnecessário dizer que o Governo do Estado como um todo,  MPE-PA, Polícia Federal, MPF, MPT, CGU, TCE-PA e TCM-PA devem fazer uma operação pente fino com a máxima urgência em Anajás.







Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on vk
Share on tumblr
Share on pocket
Share on whatsapp
Share on email
Share on linkedin

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *