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O Clube do Remo escreveu, na tarde-noite deste domingo (23), um dos capítulos mais dramáticos e simbólicos de sua história recente. Diante de um Mangueirão lotado e tomado por expectativa, o time azulino conquistou o acesso à Série A na próxima temporada. Foram 32 anos de espera, frustração e resistência, encerrados com uma atuação que combinou técnica, coragem e uma dose generosa de fé.
A virada por 3 a 1 sobre o Goiás não foi apenas um resultado esportivo: foi a materialização de uma semana em que Belém respirou tensão e esperança em igual medida. Para além da vitória, o Remo dependia de uma combinação de resultados que, no papel, parecia improvável. Mas o improvável também jogava a favor. Na Arena Pantanal, o Cuiabá venceu o Criciúma por 1 a 0 e desmontou o último obstáculo na tabela. Enquanto mais de 40 mil vozes faziam o Mangueirão pulsar, rádios e smartphones eram consultados compulsivamente.
O Remo saiu atrás, com o gol de Willean Lepo, mas não hesitou. A postura ofensiva, marca da campanha sob o comando de Guto Ferreira, prevaleceu. O empate veio nos pés de Pedro Rocha, em um chute preciso da entrada da área que devolveu o ar às arquibancadas. No segundo tempo, o domínio se tornou absoluto. João Pedro, em noite de protagonista, marcou duas vezes e selou o placar que incendiou o estádio.
A partir dali, os minutos finais alternaram ansiedade e euforia. As notícias paralelas confirmavam que o desenho do acesso estava completo. Antes mesmo do apito final, lágrimas e abraços já se acumulavam nas arquibancadas. Quando saiu a confirmação oficial, a explosão foi inevitável: bandeiras ao alto, torcedores invadindo o gramado e um coro emocionado que parecia atravessar três décadas de espera.
Pelas ruas da cidade, a festa tomou forma instantânea. Idosos que testemunharam o Remo na elite em 1994 redescobriram memórias congeladas no tempo. Jovens, que só conheciam a Série A através das histórias dos mais velhos, celebraram um início para eles inédito.
A caminhada teve vários heróis. João Pedro, decisivo, transformou a partida. Caio Vinícius foi um nome decisivo na campanha. Pedro Rocha abriu o caminho. Marcelo Rangel, seguro, realizou defesas fundamentais nos momentos de maior pressão. E no comando, Guto Ferreira deu ao time organização, coragem e um discurso de pertencimento que se converteu em resultados: 7 vitórias, 2 empates e apenas uma derrota na reta final.
O Remo fechou a campanha com 62 pontos, com 16 vitórias, 14 empates e 8 derrotas. Mais do que uma vitória, o Remo escreveu um capítulo escrito por mãos e pés improváveis e esperadas, alimentado pela força de uma torcida que nunca arredou o pé.

Foto: Magno Fernandes (Remo e Goiás)

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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