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Foto: William Santos
O rio Tapajós e o barrento Lago do Juá. Fotos: Erik Jennings
Quem chega a Santarém pelo aeroporto se horroriza com o conjunto habitacional construído ao longo do lado direito da rodovia Fernando Guilhon. São milhares de unidades do projeto “Minha Casa, Minha Vida”, no ironicamente denominado “Residencial Salvação”. Um crime ambiental e contra a dignidade humana, além do desperdício do dinheiro público e do desrespeito às milhares de famílias que deveria abrigar e a toda a sociedade santarena e parauara. 

Desmataram uma área imensa, num terreno baixo e arenoso. Depois, sem qualquer urbanização, construíram cerca de três mil casinhas, com dimensões de 5mX8m, que dizem ter dois quartos, cozinha e pátio, sem sala de estar e muito menos espaço para expansão. No verão o calor é insuportável. O clima é de deserto e não permite que os cubículos sejam habitados. Na época de chuvas, a enxurrada é fortíssima, alaga tudo e desce para o Lago do Juá e o rio Tapajós. Obviamente até hoje, por mais pobres e necessitadas de moradia que sejam as milhares de famílias que estão na fila do benefício, nenhuma conseguiu ir morar lá naquele verdadeiro inferno. 

Impactado pelas enxurradas decorrentes do desmatamento, o  Lago do Juá, que outrora tinha águas límpidas, agora está barrento, e o rio Tapajós, já eleito o mais belo do mundo, está seriamente ameaçado se não forem tomadas providências urgentes e eficazes como o caso requer. O mais grave é que o agente financiador dessa imensa favela é a Caixa Econômica Federal que, pelo jeito, não mandou seus fiscais acompanharem as obras. O programa do governo federal é chamado em Santarém “Minha Casa, Minha Miséria”. Ou “Minha Casa, Minha Morte”, pela falta de segurança, já que nem alicerce os cubículos têm.  

A pergunta, mais do que pertinente, é: ninguém vai fazer algo? A situação já dura anos.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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