Publicado em: 2 de janeiro de 2026
O Brasil concluiu na última terça-feira do ano passado (30) uma das mais longas e significativas transições da história da comunicação no país: o desligamento definitivo do sinal analógico de televisão. Com isso, o território nacional passa a operar integralmente com o sinal digital, encerrando um ciclo iniciado há mais de sete décadas e abrindo espaço para a chamada TV 3.0.
A transmissão analógica foi um modelo que acompanhou gerações de brasileiros desde a inauguração da TV Tupi, em 1950, em São Paulo. Durante décadas, a televisão analógica foi o principal meio de informação, educação, cultura e entretenimento, especialmente em regiões onde outros canais de comunicação eram escassos. A migração para o sinal digital, iniciada há quase 20 anos, buscou preservar esse papel social da TV, garantindo que a modernização não excluísse populações mais vulneráveis ou áreas remotas do país.
Segundo o secretário de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, Wilson Diniz Wellisch, o longo período de transição foi resultado de uma estratégia que considerou as desigualdades regionais e as limitações técnicas e econômicas existentes no Brasil. Para ele, a prioridade sempre foi assegurar que nenhuma localidade ficasse sem acesso à televisão aberta. “Procuramos garantir que ninguém saísse prejudicado. A TV foi e continua sendo o principal meio de comunicação do brasileiro e a intenção era garantir uma transição tranquila, para que nenhuma região do país ficasse sem cobertura ou desassistida”, afirmou.
O encerramento do sinal analógico não significa, no entanto, uma ruptura imediata com o modelo atual de TV digital. A próxima etapa. Que é a implantação da TV 3.0, será gradual e coexistirá, por um longo período, com o sistema digital já em funcionamento. Isso significa que quem não tiver acesso imediato às novas tecnologias continuará assistindo à televisão normalmente, sem perda de conteúdo ou de sinal.
A TV 3.0 representa a maior evolução da televisão aberta desde a digitalização. Diferentemente do modelo atual, ela integra de forma nativa a radiodifusão com a internet, criando um ambiente totalmente baseado em aplicativos. Na prática, os canais tradicionais dão lugar a interfaces digitais mais flexíveis, que permitem ao telespectador escolher conteúdos ao vivo ou sob demanda, interagir com a programação e acessar serviços públicos diretamente pela TV.
De acordo com Wellisch, a mudança vai alterar profundamente a relação do público com a televisão. “Passada essa etapa do desligamento completo do sinal analógico, agora estamos olhando para o futuro, que é a TV 3.0: é imagem de cinema, som de cinema, infinitas possibilidades e integração com a internet. Não é só uma nova televisão, é um novo conceito. É o telespectador no comando das suas ações”, destacou. Ele reforça que a proposta é oferecer uma TV mais conectada, inteligente e imersiva, com maior autonomia para quem assiste.
Entre os avanços previstos estão transmissões em 4K e 8K, uso de HDR, cores mais vivas, som imersivo e recursos avançados de acessibilidade, além da possibilidade de participação social e acesso a serviços digitais do Estado. A implantação começará pelas grandes capitais e será expandida progressivamente para outras regiões do país.
O desligamento do sinal analógico deveria ter sido em junho, mas foi adiado excepcionalmente por causa do Rio Grande do Sul. A decisão do Ministério das Comunicações levou em conta os impactos dos eventos climáticos extremos registrados no estado entre abril e maio de 2024. O prazo foi estendido para 74 municípios onde a transição ainda não havia sido concluída, e que tiveram o encerramento definitivo, finalmente, em 30 de dezembro.
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil









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