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Ontem, cheguei às 19 horas em Salinas, sentindo dor lancinante nos ouvidos. Com medo de ir ao hospital do prefeito, procurei atendimento no hospital regional. Lá, dei com um portão de grade trancado com cadeado. Indignada, questionei o porquê e o vigilante me disse que são ordens da direção. Na recepção fiquei sabendo que só havia um médico de plantão e, naturalmente, havia um monte de gente na minha frente. Não demorou muito chegou uma ambulância e dela foi retirada uma mulher desmaiada. A maca foi colocada no corredor e, em seguida, vi uma técnica em enfermagem puxá-la para dentro de uma sala. Um enfermeiro foi lá conferir a situação. E assim, durante cerca de uma hora – tempo que passei esperando – todas as vezes em que alguém chegava ou saía, o guarda abria e trancava o portão. 

Fui atendida pelo Dr. Dilson Freitas, que me receitou a medicação injetável de emergência e a outra para fazer em casa, além das devidas recomendações. Enquanto era medicada, observei a extrema gentileza e paciência de todos os servidores, e, claro, comecei a fazer perguntas. Assim, descobri que o portão precisa ser trancado porque já aconteceram vários casos de um paciente chegar acompanhado de 9 bêbados, transtornando o hospital. De fato, testemunhei uma mulher fazendo o maior barraco, acusando injustamente a equipe de protelar o atendimento de seu marido, e ainda insistindo em acompanhar – vejam só – a lavagem do olho dele, que estava com conjuntivite. E o cara é um quarentão! E os técnicos em enfermagem lá, serenos, pedindo calma e explicando por que não dava para ela ir junto. 

Aí, quis saber o que tinha acontecido com a desacordada. Houve um acidente? Não. Infarto? Não. Pressão alta? Não. Incrédula, ouvi a informação num muxoxo: foi um aborrecimento. Como assim? Ninguém desmaia por um aborrecimento sem que algo tenha sido afetado em seu corpo. É, mas foi só um aborrecimento, ouvi, em tom confidencial. Curiosidade mortal me tomou de assalto. Mas, afinal, o que houve com aquela mulher? Por que ela não está internada?! E a revelação, enfim, veio, espantosa: é que ela não estava desmaiada, apenas fingia, o que foi imediatamente percebido pela enfermeira, que empurrou a maca para uma sala e, vendo que suas pálpebras tremiam, mandou que abrisse os olhos, no que foi de pronto obedecida. E contou, candidamente, que o marido encheu a cara, brigaram, e então ela teve a brilhante ideia de desmaiar, para que ele se sentisse culpado e não repetisse a dose (com o perdão pelo trocadilho). 

Comentei que eles fazem um curso prático de psicanálise, e ouvi que já se sentem com mestrado, e talvez até doutorado. Funcionam como médicos, analistas, advogados e até mesmo confessores. Saí de lá agradecendo e parabenizando a equipe, e tenho a obrigação de apelar à Sespa no sentido de que reforce o número de profissionais de saúde no Hospital Regional de Salinópolis. Eles são bons mas muito poucos para tamanha demanda, ainda mais em feriadões, quando o município recebe centenas de milhares de visitantes.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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