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Foto: Gabriela Korossy
A coisa está feia no Congresso Nacional. Logo na primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as denúncias de desvio de recursos na Petrobras imperou o bate-boca. O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), anunciou a criação de quatro sub-relatorias e, sem submetê-los ao plenário, indicou os nomes dos relatores, do PSDB, PTB, PSC e PR, o que enfraquece o principal relator da CPI, que é do PT, e demonstra claramente o, digamos, descontentamento do PMDB com o governo

Pra que! Vários deputados do PT, PSOL, PPS e PSB começaram a criticar o presidente da CPI, dizendo que não tinham sido consultados. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) apresentou questão de ordem para que o relator mostrasse o plano de trabalho antes de indicar as subrelatorias, contudo, Motta atropelou o debate. Os mais exaltados foram os do PSOL, Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) e Ivan Valente (PSOL-SP). 

Não amoleque esta CPI!“, gritou Edmilson, com o dedo em riste. 

Também aos berros e com o dedo indicador apontado, Hugo Motta reagiu: “Eu quero aqui deixar bem claro. Não admitirei desrespeito de Vossas Excelências! Quem manda aqui é o presidente, respeitando o regimento. Eu não aceito desrespeito.”

Edmilson Rodrigues retrucou: “O senhor é moleque! É moleque o presidente da CPI!” 

Hugo Motta respondeu, furioso: “Cabelo branco não é sinônimo de respeito. Vossa Excelência me respeite! Vossa Excelência se retrate!”

A turma do “deixa disso” entrou em ação e foi até a mesa tentar acalmar os ânimos. Em tom mais calmo, Motta disse que daria a palavra aos demais deputados. Mas subiu os decibéis da voz de novo: “Agora, eu quero dizer a Vossas Excelências que não serei, aqui, nenhum fantoche para me submeter a pressão de quem quer que seja. Um deputado se levantou e me desrespeitou. Eu quero dizer aqui que não tenho medo de grito, e que da terra de onde eu venho homem não me grita!”


Edmilson, que é suplente da CPI da Petrobrás, não se calou: “Minha cultura é da decisão coletiva. Todos nós aqui somos representantes da soberania popular. Todos temos valor. Não estamos mais em uma ditadura“. 

O circo está, como se vê, em plena atuação. Enquanto isso, o Zé Povinho, ó…
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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