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Até quando?

É revoltante, um soco no estômago assistir à matéria feita pela equipe do Fantástico, da Rede Globo, sobre a situação de miséria humana em São Sebastião da Boa Vista e Curralinho. Pior ainda é saber que a maioria dos municípios do Pará vive esse drama.
Quando há um tsunami, terremoto, enchente calamitosa ou deslizamento, todos correm a acudir, fazem corrente solidária, mas a sociedade parece não se dar conta de que, aqui ao nosso lado, uma tragédia silenciosa abate diariamente a população pobre e desassistida.
Como é possível que um só médico atenda uma cidade com 22 mil habitantes? E que 28 mil seres humanos dependam das providências de técnicos em enfermagem?
O problema do lixão, no Pará, existe até mesmo na região metropolitana. Em todo o Estado, remédios são desperdiçados, com a validade vencida, e falta medicamento para atender os pacientes. Os matadouros municipais são impróprios, o transporte da carne é irregular. Para completar a desgraça, jogam tudo no rio e aí a contaminação é geral.
Ausência de luvas, reutilização de agulhas e lâminas para exames acontecem em toda parte. Em Abaetetuba, pertinho de Belém, a situação é tão grave que os médicos nem querem mais trabalhar por lá. O serviço prestado pelas freiras não recebe há mais de 120 dias, não há nem papel higiênico em muitos locais de trabalho.
Os municípios do Marajó têm altíssimo índice de malária há décadas. Não se pode sequer falar em sistema de esgoto.
Em todo o Pará, inclusive na capital, há escolas sem condições de funcionamento, com goteiras, janelas e instalações sanitárias quebradas. Alunos das classes noturnas desmaiam de fome nas salas de aula. As carteiras não são suficientes para todos.
Tudo isso não aconteceu da noite para o dia. E continua a acontecer porque quem tem o dever de prevenir, fiscalizar e de punir fecha os olhos para esse flagelo. 

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