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Neste sábado, 3 de fevereiro, às 18h, na Livraria Travessia, em Belém, o escritor Wildson Queiroz lança o livro “Alenquer nas obras de Benedicto Monteiro”. O autor reside na cidade de Alenquer (PA) e pesquisa a obra de Benedicto Monteiro.

“Benedicto Monteiro é daqueles personagens que são eternos, que serão sempre lembrados ao longo do tempo. Notabilizou-se na política, eleito vereador, deputado estadual e deputado federal constituinte. Na literatura foram mais de uma dezena de livros aclamados pela crítica nacional e alguns traduzidos para outros idiomas. Impossível falar da história de Alenquer sem citar seu nome, comenta Wildson.

Das muitas homenagens recebidas, Benedicto Monteiro dá nome à primeira rua de Alenquer, além de bibliotecas, praças e escolas em diversos municípios do Pará. “Foi em Alenquer que Benedicto Monteiro viveu sua infância, uma parte da juventude e o início de sua vida adulta. O livro surgiu com o objetivo de identificar de que maneira Benedicto Monteiro retrata Alenquer, sua terra natal, em suas obras literárias. Para isso, analisamos seus romances e outros escritos, como artigos publicados em jornais, cartas e canções. As principais referências foram encontradas nas obras Verde Vagomundo, O Minossauro e a Terceira Margem, além de outras citações menores em publicações diversas.”, destaca o autor.

Nascido em Alenquer, região do baixo amazonas, no dia 29 de fevereiro de 1924, registrado como se nascido no dia 1° de março, Benedicto Monteiro casou com Vanda Marques Monteiro em 13 de julho de 1954, durante a festa de Santo Antônio, no Quilombo Pacoval, interior de Alenquer. O casal teve cinco filhos.

Estudou no Grupo Escolar Fulgêncio Simões, em Alenquer; no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, em Belém. No Rio de Janeiro, então capital federal, concluiu o Científico no Colégio Rabelo e iniciou o curso de direito na Faculdade Nacional de Direito, mas a formação de bacharel foi obtida na Faculdade de Direito do Pará, no ano de 1952, onde se formou em Ciências Jurídicas e Sociais, com especialização em Direito Agrário.
Na década de 1950 foi promotor público em Alenquer, onde também ingressou na política. No pleito de outubro de 1958, eleito deputado estadual, reeleito e empossado em fevereiro de 1962.
Com o golpe militar de 31 de março de 1964 e a edição, no dia 9 de abril, do Ato Institucional no 1 (AI-1), que suspendeu as imunidades parlamentares e autorizou a cassação dos mandatos políticos, teve seu mandato cassado pela Assembleia Legislativa do Pará.

Fugiu de Belém para Alenquer e se escondeu nas matas do rio Curuá, onde foi caçado como um animal e preso no dia 16 de abril, com muitas humilhações públicas. Permaneceu preso até o dia 30 de novembro de 1964.

Com a aprovação da Lei da Anistia em agosto de 1979, recuperou seus direitos políticos.
Candidato, nas eleições de 1982, a uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Pará, pelo PMDB, ficou na primeira suplência. No ano seguinte, foi nomeado procurador-geral do Pará, pelo governador Jader Barbalho. Em junho de 1985, assumiu o mandato em virtude da licença pedida por um dos deputados de seu partido. Em seu primeiro discurso na tribuna da Câmara, Benedicto Monteiro exibiu um cartaz com uma foto em que aparecia algemado, descalço, cercado por policiais, depois de ser detido nas margens do rio Curuá. Declarou também que por ocasião do golpe militar fora torturado, sofrendo violências que atingiram também seus pais, que chegaram a ser presos e torturados para que o denunciassem.
Benedicto Monteiro foi efetivado na Câmara em janeiro de 1986, exercendo o mandato até o fim da legislatura, em janeiro de 1987.
Nas eleições de novembro de 1986, disputou uma vaga na Assembleia Nacional Constituinte. Eleito, tomou posse em fevereiro de 1987. Foi Titular da subcomissão da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária, da Comissão da Ordem Econômica, e suplente da subcomissão dos Direitos Políticos, dos Direitos Coletivos e Garantias, da Comissão de Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher.
Nas principais votações da Constituinte, posicionou-se a favor do mandado de segurança coletivo, da remuneração 50% superior para o trabalho extra, da jornada de 40 horas semanais, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional ao tempo de trabalho, da unicidade sindical, da soberania popular, do voto facultativo aos 16 anos, da nacionalização do subsolo, da estatização do sistema financeiro, da limitação dos juros reais em 12% ao ano, do mandato de cinco anos para o então presidente da República, da limitação dos encargos da dívida externa e do fundo de apoio à reforma agrária. Foi contra o presidencialismo, a anistia às dívidas de pequenos e microempresários e a legalização do jogo do bicho. Com a promulgação da Carta em 5 de outubro de 1988, passou a participar dos trabalhos legislativos ordinários da Câmara.
Deixou a Câmara dos Deputados no final da legislatura, em janeiro de 1991, depois de ter tentado sem êxito a reeleição em outubro do ano anterior, já pelo PTB.

Abandonando a vida pública, passou a se dedicar exclusivamente às atividades de escritor. Foi membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e da Academia Paraense de Jornalismo.
Publicou Bandeira Branca (1945), Verde Vagomundo (1972), O Minossauro (1974), O carro dos milagres (1975), Direito agrário e processo fundiário (1981), A terceira margem (1983), Aquele Um (1985), Maria de todos os rios (1992), Transtempo (1993), Discurso sobre a corda (1994), Como se faz um guerrilheiro (1995) e Poesia do texto (1999), História do Pará (2002) e o Homem Rio (2005).

Faleceu em Belém, no dia 15 de junho de 2008. Suas cinzas foram lançadas no rio Surubiú, em frente a Alenquer, atendendo seu último desejo.

O livro estará à venda na livraria por R$ 32.

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