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A Av. Visconde de Souza Franco (Doca) vai ganhar um Parque Linear, dotado de equipamentos de lazer, esporte e contemplação da baía de Guajará, tais como mirante, quiosques de alimentação, deck, parque infantil, passarela, ciclovia e academia ao ar livre, integrados à paisagem, além da requalificação do canal. ASecretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas já abriu no último dia 5 a Concorrência 17/2023, destinada à contratação de empresa de engenharia especializada. A expectativa é de que a obra comece em fevereiro, e o valor estimado é de R$316 milhões, com tempo de execução de um ano e oito meses.

O projeto do governo do Pará usa o conceito de “traffic calming” e prevê uma via elevada, conectando o parque e o Porto Futuro. Conclui-se que serão adotadas medidas de moderação do trânsito de veículos, em conjunto com os princípios da mobilidade urbana sustentável, priorizando eincentivando os deslocamentos não motorizados. Contudo, a aplicação dessas técnicas sem estudos prévios e planejamento estratégico não reduz os conflitos de mobilidade já existentes na área. É preciso uma análise abrangente, articulada e aplicação de forma completa, assim como nos países desenvolvidos.

A despoluição do canal necessariamente passa pela retirada dos vários pontos de despejo de esgoto que hoje tornam o local insalubre. O projeto menciona o redesenho da seção do canal para tratamento das águas por plantas macrófitas e fitorremediação, o que sugere que será utilizada a técnica ecológica, de fácil implantação e a mais barata, custa menos que a metade de estações de tratamento de águas residuais tradicionais. O sistema consiste na instalação de jardins que flutuam, ilhas artificiais de 110 m², cobertas por plantas aquáticas que filtram os poluentes sem o uso de produtos químicos. O projeto prevê também soluções para remediar o alagamento local, com medidas como biovaleta, jardim de chuva, canteiro pluvial e alagado construído.

O canal da Praça Magalhães, conhecido como Doca do Reduto, que fica ali pertinho e sofre total degradação há décadas, poderia ser acolhido pelo governador Helder Barbalho e conectado ao Porto Futuro, o que revigoraria totalmente o bairro, que é tombado pelo patrimônio histórico, tem importantes bens arquitetônicos e é testemunha da história do Pará e de Belém. Precisa urgentemente ser despoluído, requalificado, revitalizado, integrado à vida econômica, cultural e social da cidade, de modo a recriar esse significativo território de Belém. Assim também pelo menos os canais da Travessa da Vileta, da Cipriano Santos e da Tamandaré.

É fundamental acabar com os lançamentos irregulares de esgoto e descarte inadequado de resíduos sólidos. Fazer muretas, macrodrenagem, asfaltar as vias laterais, garantir o bom funcionamento das redes de drenagem pluvial e a destinação correta de rejeitos. Após a despoluição dos canais, há que executar ações preventivas. Não só de educação ambiental, mas de cidadania como um todo, aliadas a serviços de infraestrutura e fiscalização constante.

Imagens do projeto do Parque Linear: Sedop

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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