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Os volumes I e II do livro “A Música e o Tempo no Grão-Pará”, obra fenomenal de Vicente Salles, organizada pela viúva Marena Salles com publicação da editora Paka-Tatu, foram lançados ontem (11) à noite, no Palacete Faciola, casa-museu que guarda tesouros da história da música paraense. Escritores, professores, artistas e admiradores do autor, um dos maiores intelectuais de todos os tempos na Amazônia, prestigiaram o evento.

O prefeito de Belém avaliou o momento como uma celebração do registro da história que reúne a maior pesquisa musicológica. Edmilson Rodrigues estava emocionado, pois foi ele quem viabilizou a publicação da obra, através de emenda parlamentar, na época em que exercia mandato de deputado na Câmara Federal, até 2020. “É o maior registro histórico da música em nosso estado”, disse à professora de violino e viúva do escritor Vicente Salles, Marena Salles.

Os dois volumes têm prefácios do escritor e poeta João de Jesus Paes Loureiro e do professor e maestro Jonas Arraes, ambos também pesquisadores, intelectuais renomados e admirados internacionalmente.

Musicólogo, historiador, jornalista, folclorista, poeta, cientista social, antropólogo e ativista cultural, Vicente Salles foi um dos maiores pesquisadores da cultura amazônica. Sua obra enciclopédica é fantástica. No final da década de 1950 seu estudo acerca da cultura dos negros na Amazônia deu origem à emblemática obra “O negro no Pará sob o regime da escravidão”, escrita na década seguinte e só publicada em 1971, fruto da parceria entre a Universidade Federal do Pará e a Fundação Getúlio Vargas.

Nascido em 27 de novembro de 1931 na Vila do Caripi, município de Igarapé-Açu, no nordeste do Pará, Vicente Juarimbu Salles era “Juarimbu” por conta da etnia Tembé que vivia ali perto. Em 2010, recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” da UFPA, em reconhecimento à contribuição e preservação da memória cultural e intelectual do Pará e da Amazônia.  Era um gênio e um ser humano iluminado. Passou ao plano superior em 7 de março de 2013, no Rio de Janeiro, e deixou 26 livros publicados, além de 51 livretos artesanais de pequena tiragem. Tive a honra indizível de conhecê-lo. Ave, Vicente Salles!

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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