Publicado em: 12 de fevereiro de 2026
Com previsão de mais de 65 milhões de pessoas nas ruas de todo o país, o Carnaval mobiliza não apenas blocos, desfiles e turistas, mas também a estrutura urbana das cidades brasileiras. A estimativa, divulgada pelo Ministério do Turismo, representa crescimento de 22% em relação a 2025 e impõe um desafio adicional aos serviços públicos, especialmente em um período que é caracterizado por calor intenso, chuvas frequentes e alta concentração populacional.
A dimensão do evento exige que temas como abastecimento de água, oferta de sanitários, coleta e tratamento de esgoto sejam tratados como componentes centrais da organização da festa. O saneamento básico faz parte da agenda da saúde pública e do desenvolvimento econômico, sobretudo diante do aumento do fluxo populacional por causa do turismo nacional e internacional.
A ampliação do número de pessoas intensifica o consumo de água e a geração de resíduos. Em condições de verão, com temperaturas elevadas, a hidratação adequada torna-se medida essencial para evitar complicações de saúde. A recomendação é priorizar água tratada e evitar fontes improvisadas, que podem estar contaminadas e favorecer a transmissão de doenças de veiculação hídrica.
A prática de urinar em vias públicas, além de comprometer a experiência de moradores e visitantes, contribui para a contaminação do solo, para o mau cheiro e para a sobrecarga dos serviços de limpeza urbana. A oferta suficiente de sanitários em grandes eventos é questão de saúde pública e de dignidade coletiva, exigindo planejamento prévio e logística adequada.
Outro ponto crítico é a coleta e o tratamento de esgoto. Em diversas cidades brasileiras, a ausência ou insuficiência desses serviços permanece como obstáculo estrutural. O despejo de esgoto sem tratamento em rios e áreas costeiras compromete a qualidade dos corpos hídricos, afeta diretamente atividades turísticas e expõe a população a riscos sanitários. Em períodos de grande circulação de pessoas, o impacto é ampliado.
A relação entre turismo e saneamento é direta. Destinos com rios poluídos, áreas degradadas ou acesso limitado à água tratada, além de ameaçarem as populações locais tendem a sofrer perdas econômicas e reputacionais. O acesso aos serviços básicos torna-se, assim, condição para o fortalecimento da atividade turística e para a sustentabilidade financeira das cidades que dependem do fluxo de visitantes.
O Instituto Trata Brasil elenca quatro medidas consideradas indispensáveis para o período: manter a hidratação com água tratada; utilizar sanitários disponíveis, evitando a contaminação de espaços públicos; reforçar a importância do tratamento de esgoto como proteção à saúde coletiva; e reconhecer que o desenvolvimento do turismo depende diretamente da universalização do saneamento básico.
O debate não se encerra com o fim da festa. O impacto do Carnaval ultrapassa a quarta-feira de cinzas e deixa efeitos duradouros na infraestrutura urbana. Os investimentos em saneamento refletem-se na qualidade de vida da população ao longo de todo o ano, na preservação dos recursos hídricos e na consolidação de destinos turísticos e devem ser priorizados em todas as épocas.









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