Publicado em: 19 de março de 2026
O uso do brincar como recurso terapêutico tem ganhado relevância no tratamento de crianças e adolescentes com câncer, ao integrar estratégias de cuidado que vão além das intervenções clínicas. Na contagem regressiva para o Dia Mundial da Infância, celebrado em 21 de março, a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) destaca a importância de garantir condições que preservem o desenvolvimento emocional, cognitivo e social dos pacientes durante o tratamento.
A entidade aponta que a experiência hospitalar, quando associada a estímulos adequados, pode contribuir para reduzir a ansiedade e fortalecer o vínculo da criança com o processo terapêutico, favorecendo a continuidade e a eficácia das intervenções médicas.
A presidente da SOBOPE, Dra. Mariana Michalowski, afirma que o cuidado em oncologia pediátrica precisa considerar a dimensão integral da infância. Segundo ela, “A criança não deixa de ser criança. Mesmo em tratamento, é essencial que ela continue imaginando, brincando, aprendendo e se desenvolvendo. Algumas atividades podem ser adaptadas de acordo com a fase do tratamento, mas sempre há maneiras de oferecer diversão, distração e estímulo emocional, que também contribuem para o sucesso terapêutico”.
A especialista destaca que a manutenção de atividades compatíveis com a idade e com a condição clínica do paciente é fundamental para reduzir impactos psicológicos e favorecer a adesão ao tratamento.
A incorporação de ambientes voltados ao brincar é considerada um elemento central nesse modelo de cuidado. Brinquedotecas hospitalares e salas de recreação possibilitam o acesso a atividades adaptadas, promovendo aprendizado, interação social e estímulo à imaginação.
A existência desses espaços é garantida pela Lei Federal nº 11.104/2005, que estabelece sua obrigatoriedade em unidades hospitalares com atendimento pediátrico.
Além da infraestrutura, a terapia lúdica é conduzida por profissionais especializados, que utilizam atividades recreativas como instrumento para reduzir a ansiedade e estimular o desenvolvimento cognitivo e emocional.
O atendimento envolve a atuação conjunta de diferentes áreas. Médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, professores e voluntários participam do acompanhamento, com foco em oferecer suporte integral à criança e à família.
Segundo a Dra. Mariana, a organização da rotina tem papel relevante nesse processo. Ela afirma que “A criança precisa de estímulo e de rotina acolhedora. Cada brincadeira, cada atividade lúdica, cada momento de socialização ou de expressão artística contribui para o enfrentamento do tratamento. Quando ela se sente segura e ouvida, consegue lidar melhor com os procedimentos médicos e manter a autoestima e a confiança”.
A recomendação inclui a combinação de atividades educativas, momentos de descanso, interação social e convivência com familiares e amigos.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que, entre 2023 e 2025, foram registrados cerca de 7.930 novos casos de câncer por ano em crianças e adolescentes de até 19 anos no Brasil.
A taxa de cura pode chegar a aproximadamente 80% dos casos, especialmente quando a doença é identificada precocemente. Por esse motivo, especialistas reforçam a necessidade de atenção a sinais de alerta.
Entre os principais sintomas estão hematomas sem causa aparente, presença de caroços pelo corpo, febre persistente, vômitos, dores de cabeça ou dores ósseas e inchaços nos membros.
Para a SOBOPE, garantir experiências compatíveis com a infância durante o tratamento não se restringe a uma questão de bem-estar, mas integra a estratégia terapêutica.
A Dra. Mariana afirma que “O brincar, a imaginação e a expressão criativa ajudam a criança a enfrentar a doença com mais resiliência e esperança. Cada brinquedoteca, cada atividade lúdica e cada momento de estímulo fazem diferença na vida de quem enfrenta um câncer ainda na infância”.
A abordagem reitera a importância de práticas humanizadas no ambiente hospitalar, com foco na qualidade de vida e no fortalecimento emocional dos pacientes ao longo do tratamento oncológico.









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