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Um levantamento da MindMiners indica que a Copa do Mundo de 2026 deve alterar de forma significativa o comportamento de consumo no Brasil, com impacto direto nas compras, na forma de assistir aos jogos e na relação com marcas. A pesquisa, que ouviu mil pessoas de diferentes regiões e classes sociais, aponta que um em cada três brasileiros pretende ajustar o carrinho de compras durante o período do torneio, enquanto 34% afirmam que devem mudar hábitos de consumo e outros 43% adaptar escolhas conforme a ocasião, evidenciando o peso do evento na reorganização das rotinas e decisões financeiras.

O estudo mostra que o engajamento com a competição é elevado e ajuda a explicar esse movimento. A expectativa é que 83% dos brasileiros acompanhem a Copa, sendo que 40% afirmam acompanhar o torneio mais do que qualquer outra competição esportiva ao longo do ano. Mais do que interesse esportivo, o evento é percebido como uma experiência coletiva: 69% o associam ao entretenimento, 49% à paixão pelo futebol e 32% à convivência com amigos e familiares, o que reposiciona a Copa como um fenômeno social e econômico de grande alcance.

Nesse cenário, a casa se consolida como principal espaço de consumo e sociabilidade. Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados pretendem assistir aos jogos da seleção em casa, geralmente acompanhados, percentual que chega a 71% entre as mulheres. A preferência por bares, restaurantes ou espaços públicos aparece bem abaixo, com 22%, indicando uma mudança relevante na dinâmica tradicional do evento.

Para a diretora de Excelência do Cliente e Expansão da MindMiners, Rosana Camilotti, “A centralidade da casa muda completamente a lógica de consumo da Copa. Em vez de consumo pulverizado em bares e espaços públicos, vemos uma concentração dentro do ambiente doméstico, o que favorece categorias ligadas à alimentação, conveniência e compartilhamento”.

Esse deslocamento para o ambiente doméstico reorganiza as prioridades de compra. Supermercados aparecem como o principal setor impactado, mencionados por 47% dos entrevistados, seguidos por alimentos e snacks, com 43%, e bebidas, com 36%. Também ganham relevância produtos esportivos, vestuário e eletroeletrônicos, indicando que o consumo se distribui entre itens de uso imediato e bens associados à experiência de assistir aos jogos. No cardápio típico do período, predominam alimentos de preparo rápido e compartilhamento, como petiscos, carnes para churrasco, snacks industrializados e pizza. Entre as bebidas, refrigerantes e cervejas lideram com ampla vantagem, e mais da metade dos consumidores afirma planejar previamente a compra de bebidas alcoólicas, enquanto uma parcela significativa decide no momento da partida.

Apesar do aumento do consumo, a pesquisa aponta uma dificuldade das marcas em converter presença em lembrança. O estudo mostra que produtos amplamente consumidos durante o evento nem sempre permanecem na memória do público. Para Rosana Camilotti, “Estar na mesa do consumidor é diferente de estar na cabeça dele, e esse é um ponto de anteção. A Copa amplia esse desafio porque aumenta o consumo, mas também eleva o nível de exigência. Marcas que não conseguem se conectar com o contexto acabam sendo facilmente substituídas ou esquecidas”.

A exigência dos consumidores em relação às estratégias de marketing também aparece de forma clara. A maioria dos entrevistados afirma valorizar marcas que conseguem se comunicar de maneira criativa e leve durante o torneio, enquanto mais da metade percebe quando há tentativas de inserção consideradas artificiais ou pouco relevantes. Promoções com descontos, ações criativas e campanhas bem-humoradas surgem como os principais fatores de atenção, indicando que o público espera não apenas presença, mas coerência e conexão com o momento.

Outro aspecto destacado pelo levantamento é a transformação no consumo de mídia. A televisão aberta permanece como principal canal para acompanhar os jogos, mas divide espaço com plataformas digitais, que ganham relevância, especialmente entre os mais jovens. O YouTube aparece como segunda opção mais citada, seguido pela CazéTV, que alcança forte adesão na Geração Z. A experiência de assistir à Copa também se torna simultânea e interativa, com o celular consolidado como segunda tela para quase metade dos brasileiros, reforçando a tendência de consumo híbrido.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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