Publicado em: 10 de maio de 2026
Em 30 de janeiro deste ano, fomos recebidos na sede da Assembleia da República de Portugal pelos deputados portugueses Hernani Dias e Nuno Gonçalves, dias depois do lançamento do nosso livro “O Rito do Sobrevivente”, apresentado no Encontro Literário Intercultural ocorrido na Biblioteca Municipal da formosa Vila real de Trás-os-Montes.
O lançamento foi convite da Presidente da Academia Paraense de Letras, a escritora Maria da Assunção Anes de Morais, que reuniu uma plateia letrada em uma tarde de grandes feitos literários, inaugurados pela vereadora da Cultura Mara Minhava.
Lamentando a impossibilidade em comparecer a esse encontro, o Deputado da Assembleia da República, Hernani Dias, que foi Presidente da Câmara de Bragança, membro do Partido Social Democrata, chamou-nos conhecer a Câmara Nacional, em Lisboa, onde exerce oficio parlamentar.
No encantador Palácio de São Bento, de estilo neoclássico, que já foi mosteiro beneditino no XVI, posteriormente adaptado para sediar os congressistas, Hernani nos recebeu, juntamente com o deputado Nuno Jorge Gonçalves do mesmo partido, da mesma região de Trás-os-Montes, num agradável encontro luso brasileiro, finalizado com um almoço no restaurante da Assembleia onde outros políticos frequentam.
Foi uma honra essa gentileza e não podemos deixar de expor ao nosso país, à nossa cidade, a mais portuguesa do Brasil, Belém do Pará, as impressões que adquirimos nessa importante e gentil apresentação, por vários motivos.
O primeiro, se liga à cordialidade dos portugueses para com o Brasil, inicialmente a da Presidente da Academia de Letras de Vila Real, Annes Assunção, abrigando e enaltecendo nossa singela obra que o Brasil ainda haverá de conhecer.
Em segundo lugar, pela gentileza dos dois parlamentares portugueses como autoridades, Hernani e Juno, que nos proporcionaram estarmos reunidos, conhecendo o parlamento português que adotou a democracia da nação logo após a Revolução dos Cravos.
Terceiro, pela ratificação de que brasileiros e portugueses são irmãos de sangue, letras e tradições, confirmando ao mundo o que dizia Fernando Pessoa sobre a língua e a Nação serem uma só pátria. Nossas raças, etnias e heranças culturais se misturam como as águas do atlântico, hidratando nossas nações, unindo nossos povos. Provando, também, do mesmo sal ao mar que nossas lágrimas de amor salgaram, separando e unindo, como escreveu Vinicius de Morais e cantou Amália Rodrigues, entre os desafios da existência.
Nessa gentileza parlamentar, aprendemos um pouco mais como funciona o parlamento português, que apresenta composição de 230 deputados eleitos pelo voto direto dos cidadãos para mandatos de 4 anos. Que se representa por partidos políticos com responsabilidade de criar, alterar e revogar leis que regem o país. Que aprova o orçamento, decide como o dinheiro público será arrecadado e gasto, controlando a atuação do Governo, podendo fazer perguntas, pedir esclarecimentos ou até derrubá-lo com moção de censura.
A atual Assembleia da República se fortaleceu com a democracia após a revolução militar que acabou com a ditadura e instalou o regime democrático em 25 de abril 1974. No Brasil, deu-se o contrário, foi uma revolução militar que implantou, em 1964, a ditadura brasileira que durou 21 anos, deixando mazelas profundas na vida social nacional.
Nessas histórias, nossas e vossas, salgadas e doces, repousam alegrias e dissabores, derrotas e conquistas, infortúnios e felicidades, mas sobretudo experiências e aprendizados de ambas as nações buscando evoluções.
Quando esteve no Brasil, o Deputado Hernani, honrando Belém do Pará e a centenária Academia Paraense de Letras que lhe prestou homenagem e, posteriormente, em São Paulo relacionando-se com o Museu da Língua Portuguesa a fim de criar o primeiro museu português dessa natureza na região lusitana de Bragança, tive a honra de lhe acompanhar, oferecendo-lhe o mínimo que o Brasil pode ofertar dos seus 526 anos de chegada lusitana e heranças dos povos originários.
Observamos a compreensão e o respeito por tudo que lhe foi apresentado, apesar dos 800 anos de existência independente do povo português, desde Afonso I, o primeiro rei de Portugal, sempre a nos ensinar.
Lembramos, com isso, ter iniciado nossa carreira jurídica servindo ao parlamento municipal de Belém do Pará, Brasil, Câmara Municipal dos vereadores, onde se revela o primeiro embrião da política de um país. Nesse período ocupamos vários cargos, assessorando parlamentares com projetos para o município, parques, ciclovias, patrimônios culturais, qualidade de vida, inclusões sociais, inspirados em nações mais experientes.
Nossos povos estão lá e cá, dispersos, mas unidos, em relacionamento amistosos, falando a mesma língua, recíprocos, trocando experiências, vidas, relacionamentos, em consanguinidades que afastam linhas divisórias, diferenças, comparações e distanciamentos, porque, verdadeiramente, somos uma só nação baseada na revelação Camões em seu Canto X:
“Vereis o mar cercar, e as terras grandes
Que a natureza fez tão diferentes
E sujeitar aos vossos altos mandes
Povos de várias leis e várias gentes;
E fareis, onde ides, novas partes
Do mundo, com esforço e fortes artes”
As heranças portuguesas são partes da nossa história, com mais semelhanças do que diferenças e a função do parlamentar de servir, democratizar, gerir seu território, proteger direitos fundamentais e sociais de uma sociedade, constitui uma das garantias do Estado Democrático de Direito.
A admiração que desenvolvemos em nosso país por servidores públicos vocacionados, num Brasil tão diversificado e dividido por convicções ideológicas, é a mesma que dedicamos aos parlamentares e amigos portugueses que se apresentam sob tais finalidades sociais observadas nas ilustres pessoas que me receberam.
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista








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