Publicado em: 20 de abril de 2026
Aos 114 anos, o Cine Olympia, cinema mais antigo em funcionamento do Brasil, que faz parte da história de Belém, já tem cerca de 80% das obras concluídas e previsão de reabertura no segundo semestre deste ano.
O projeto reposiciona o Olympia como um equipamento cultural contemporâneo sem romper com sua origem. Durante as obras, elementos arquitetônicos do início do século XX, que estavam ocultos por reformas posteriores, foram redescobertos. Entre eles, o arco da fachada original, considerado um dos achados mais relevantes do processo.
“O arco original estava lá, apenas camuflado pelas intervenções feitas ao longo do tempo. Foi um achado extremamente significativo”, afirma o arquiteto Jorge Pina, do Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura de Belém (Secult).
A descoberta levou à revisão do projeto inicial, que previa uma fachada moderna. A partir disso, a decisão foi recuperar integralmente as características originais do edifício, conectando a intervenção atual ao contexto histórico em que o cinema foi inaugurado, em 24 de abril de 1912.
Naquele período, Belém vivia o auge econômico do ciclo da borracha e priorizava uma identidade urbana marcada pela influência europeia. Idealizado pelos empresários Antônio Martins e Pedro Teixeira, o cinema foi construído por existir uma demanda por novos espaços culturais em uma cidade que já ostentava equipamentos como o Theatro da Paz e a Praça da República. Inicialmente voltado ao cinema mudo, o Olympia utilizava um piano para acompanhar as exibições. Este piano ainda existe e retornará ao espaço, agora, como peça central do acervo.

Ao longo das décadas, o prédio passou por sucessivas modificações, transitando por estilos arquitetônicos que vão do ecletismo com influências neoclássicas e art nouveau ao art déco e, posteriormente, ao modernismo. O processo atual de restauração busca reorganizar essa história, destacando a configuração original do edifício.
A obra é conduzida pela empresa GM Engenharia, com coordenação do Instituto Pedra e acompanhamento de especialistas em preservação. O financiamento envolve recursos da Vale, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco da Amazônia (Basa), viabilizados por meio da Lei Rouanet. O investimento total no projeto cultural, que inclui ações de preservação e memória, chega a R$ 16.152.270,29.
Na etapa atual, os trabalhos concentram-se nos acabamentos. “Estamos na fase final, com revestimentos, pintura, instalação de forros, esquadrias e portas. A parte civil deve ser concluída em breve, dando espaço para a instalação dos equipamentos e mobiliário”, explica a engenheira Gabriela Cascais.
Durante a execução, foram identificadas fissuras estruturais, exigindo reforços nas paredes. O telhado também passou por recuperação completa, com aplicação de mantas metálicas.
Ao mesmo tempo, o projeto incorpora soluções técnicas alinhadas ao padrão contemporâneo de exibição audiovisual. O novo espaço contará com equipamentos de projeção de última geração e uma plateia com 255 poltronas. Este número foi reduzido em relação à configuração original por ser mais adequado ao modelo atual dos cinemas de rua.
Entre as mudanças, está a criação de um bar interno com estrutura envidraçada, que permitirá ao público acompanhar as sessões enquanto consome no local, sem interferir na área principal da plateia.
Outro eixo central da requalificação é a implantação de uma sala de memória. O espaço funcionará como um núcleo expositivo dedicado à história do cinema e do próprio Olympia, reunindo itens como o antigo projetor e o piano utilizado nas exibições do período silencioso, recentemente incorporado ao acervo municipal.
A proposta inclui também ações de educação patrimonial, com atividades voltadas à formação de público e à valorização da história cultural da cidade.
Foto em destaque: Agência Belém









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