Publicado em: 1 de abril de 2026
Todos os que conheceram o grande advogado, homem público, gestor e, sobretudo, ser humano Adnan Demachki estão impactados com a sua passagem ao plano espiritual aos 62 anos, ontem (31), em Brasília (DF), onde participava de uma palestra, vítima de infarto.
Figura de grande relevo na história política e administrativa recente do Pará, especialmente reconhecido por sua gestão transformadora em Paragominas, Adnan era um homem digno, inteligente, íntegro, educado, um estrategista e pensador da Amazônia, que brilhava em todas as suas atividades. Sua partida representa uma perda significativa para o cenário público parauara. Tive o privilégio de privar de sua amizade por décadas, assim como meu saudoso irmão Chico Florenzano.
No exercício da advocacia, Adnan fundou e presidiu a subseção da OAB-PA em Paragominas por dez anos.
Quando prefeito de Paragominas (2005–2012), articulou o projeto “Paragominas Município Verde”. Sob sua liderança, o município — que era tristemente conhecido como “Paragobala” pela extrema violência urbana e rural e figurava no topo da lista de desmatamento da Amazônia — se tornou modelo global de sustentabilidade e combate ao desmatamento ilegal, recebendo o prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente. Foi eleito por três vezes “Prefeito Empreendedor” pelo Sebrae e recebeu o Prêmio Samuel Benchimol em 2018 como personalidade da Amazônia.
Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará e também de Proteção Social, focou na verticalização da produção e na atração de novos investimentos. Uma de suas maiores bandeiras foi o projeto de verticalização do minério de ferro e do cobre. Ele defendia que o Pará não deveria ser mero exportador de matéria-prima e fornecedor de mão-de-obra barata, e sim um processador industrial. Idealizou o Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (Pará 2030), destinado a diversificar a economia paraense através de catorze cadeias produtivas (como cacau, peixe, pecuária, turismo, bioeconomia e mineração), buscando um crescimento do PIB acima da média nacional. Em tudo, condicionava o desenvolvimento econômico à preservação ambiental, promovendo o conceito de “indústria verde” na Amazônia. Atuou na facilitação de projetos de infraestrutura energética para suportar a expansão industrial no interior do estado, especialmente em distritos industriais como os de Barcarena e Marabá.
Sua gestão na área social priorizou a qualificação profissional de jovens e adultos para que pudessem ocupar as vagas geradas pelos novos projetos econômicos e industriais do estado. Incentivou programas de microcrédito e apoio a pequenos produtores, acreditando que a proteção social mais eficaz é aquela que gera renda e autonomia financeira. Assim como na economia, aplicava métricas de eficiência na gestão de recursos sociais, a fim de otimizar o alcance dosprogramas de assistência básica em municípios mais isolados.
O trabalho de Adnan nessas duas frentes demonstrou um ponto central: desenvolvimento econômico e bem-estar social são indissociáveis. Para ele, a mineração e a energia deveriam servir como motores para financiar e alavancar a proteção social e a qualidade de vida parauara.
Era cofundador e conselheiro do Centro de Empreendedorismo da Amazônia, focando em negócios sustentáveis e bioeconomia. Recentemente, atuava também como fellow do Instituto Arapyaú. Sua trajetória é um exemplo de que é possível ter políticos honestos que deixem legado admirável.
Que Deus o receba em paz e na luz e console sua família









Comentários