Publicado em: 19 de março de 2026
Santarém, Ananindeua, Belém e Parauapebas (PA) figuram entre os piores municípios no 18º Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil, publicado hoje (18), em parceria com GO Associados, com foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil. É uma vergonha planetária, principalmente por Parauapebas ser um dos mais ricos do país. Onde foram parar os bilhões recebidos anualmente? E por que os órgãos de fiscalização não atentam para isso e muito menos punem os maus gestores?
Enquanto os 20 melhores contam com 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores têm só 28,06% (em média!), diferença de 70,02 pontos percentuais. No tratamento de esgoto, os 20 melhores registram 77,97%, enquanto os 20 piores alcançam apenas 28,36%, diferença de 49,61 pontos percentuais. Franca (SP) leva a primeira colocação, seguida por São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP) e Santos (SP). Os quatro municípios já estão universalizados.
Os 20 municípios com pior desempenho no ranking investiram, em média (de 2020 a 2024), R$ 77,58 por habitante, valor cerca de 66% inferior aos R$ 225 por habitante previstos pelo PLANSAB para universalizar o saneamento até 2033 e 56% inferior aos R$ 176,17 investidos pelos 20 municípios com melhor desempenho.
O município com maior investimento per capita em 2024 é Praia Grande (SP), com R$ 572,87. O de menor nível relativo de investimento é Rio Branco (AC) com R$ 8,99.
Para produzir o ranqueamento, foram considerados os indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, ano-base 2024, publicados pelo Ministério das Cidades.
A falta de acesso à água potável impacta mais de 30 milhões de brasileiros, enquanto cerca de 90 milhões (43,3% da população) não dispõem de coleta de esgoto, refletindo em problemas de saúde, falta de produtividade no trabalho, desvalorização imobiliária, perdas relacionadas ao turismo e queda na qualidade de vida da população, afetando profundamente o desenvolvimento socioeconômico do país.
O Ranking do Saneamento é composto pela análise de três dimensões do saneamento básico em cada município: “Nível de Atendimento”, “Melhoria do Atendimento” e “Nível de Eficiência”.
Dos 20 municípios mais bem colocados no Ranking de 2026, nove são do estado de São Paulo, seis do Paraná, dois de Goiás, dois de Minas Gerais e um do Rio de Janeiro.
Dos 20 piores, quatro estão no Pará, quatro no Rio de Janeiro e três em Pernambuco. Do restante, quatro são do Norte, três do Nordeste, um do Centro-Oeste e outro na região Sul. Além disso, dos 20 piores, sete são capitais de seus estados: Maceió (AL), Manaus (AM), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO).
Teresina (PI) foi o que mais avançou no Ranking de 2026, com salto de 14 posições, impulsionado pela ampliação do atendimento de esgoto e pela redução das perdas.
Ao todo, só 28 municípios já atingiram a universalização do abastecimento de água conforme as metas do Marco Legal do Saneamento. Desse grupo, 11 registram cobertura total de 100%, enquanto outros 17 apresentam índices iguais ou superiores a 99% de atendimento. O menor percentual de atendimento de água em 2024 foi de 30,74%, em Porto Velho (RO). No ano anterior, 2023, o menor índice encontrado foi de 35,02%, no mesmo município.
Apenas três municípios da amostra alcançaram 100% de cobertura na coleta de esgoto. Outros 37 registram índices superiores a 90% e também podem ser considerados universalizados, de acordo com as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento Básico. Na outra ponta, o menor nível de atendimento foi observado em Santarém (PA), onde míseros 3,28% da população têm acesso a coleta de esgoto.
O prazo de 2033 se aproxima sem mudança estrutural. É premente que a sociedade civil acompanhe de perto a atuação dos gestores públicos e cobre avanços concretos no saneamento básico, especialmente em ano eleitoral.

















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