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Em Uruará, no sudoeste do Pará, as crianças são transportadas feito gado no percurso para a escola, em “paus de arara”, caminhões cobertos com lona e fechados com algumas tábuas, sem o menor conforto e segurança, no calor inclemente, sob chuva e em perigo de morte. Os meninos e meninas chegam doídos na escola. No verão, sujos de poeira; no inverno, de lama. A prática, perigosa e ilegal, é da própria prefeitura, que deixa as estradas vicinais intrafegáveis e alega que só esse tipo de transporte consegue fazer o percurso, o que é inadmissível.

Uruará é um município com graves problemas socioambientais e figura em estudos recentes nos rankings com os piores indicadores de qualidade de vida, Índice de Progresso Social (IPS) e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Desigualdade, pobreza e dificuldades no acesso a políticas públicas são agravadas pelos altos índices de desmatamento, queimadas, garimpo ilegal e conflitos fundiários. Desastres naturais, como fortes chuvas, completam a enorme vulnerabilidade.

A precarização educacional tem sido impune, em razão da falta de fiscalização pelos órgãos ditos competentes. Embora proibido, tipificado como infração gravíssima de trânsito, o pau de arara em Uruará chega ao requinte da pintura lateral com a designação de transporte escolar. Há de se perquirir o destino dos ônibus escolares doados pelo governo federal. E enxergar que essas crianças são postas pelo próprio poder publico em situação de iminente ameaça à vida.

É de se perguntar, também, o porquê da falta de ação do Conselho Tutelar, do Ministério Público do Estado do Pará e do Ministério Público Federal para proteger esses pequenos e já tão sofridos seres humanos, despidos de seus mais comezinhos direitos fundamentais e de cidadania.


Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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