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As semifinais do Parazão 2026 confirmaram o roteiro que muitos previam, mas não sem fortes emoções. No Parque do Bacurau, o Remo venceu o Cametá por 3 a 2, de virada, em uma partida eletrizante. Já no outro confronto decisivo, o Paysandu fez o dever de casa, superou o Castanhal por 1 a 0 e carimbou sua vaga na grande final. Assim, o campeonato estadual terá mais uma vez o clássico mais emblemático da região decidindo o título.

O duelo no Parque do Bacurau foi daqueles que justificam as nuances do futebol paraense. O Cametá saiu na frente, inflamou sua torcida e colocou o favorito contra as cordas. Mas o Remo mostrou poder de reação. Carlinhos iniciou a arrancada, João Pedro deixou tudo igual e Patrick de Paula decretou a virada azulina, já nos acréscimos consolidando o 3 a 2 que garantiu a classificação.

O técnico Osório optou, novamente, por mesclar a equipe, preservando algumas peças e testando alternativas. A estratégia trouxe dificuldades no primeiro tempo, mas, na etapa final, prevaleceu a profundidade do elenco azulino. A diferença técnica e financeira ficou evidente: o “time de milhões”, que disputa a Série A do futebol brasileiro, soube controlar a pressão, acelerou quando necessário e confirmou sua superioridade nos momentos decisivos. O Cametá cansou e desperdiçou uma real chance de voltar a disputar uma final – como em 2012.

Se o jogo do Remo foi de tensão e reviravolta, o do Paysandu foi de controle e maturidade. Diante do Castanhal, o Papão administrou o confronto com segurança, correu poucos riscos e impôs seu ritmo. Não foi uma atuação exuberante, mas foi eficiente – e, em partidas eliminatórias, isso costuma ser determinante.

O gol solitário saiu dos pés de Ítalo Carvalho, artilheiro bicolor e nome decisivo na campanha. A vantagem mínima foi suficiente para assegurar a classificação, sustentada por um sistema defensivo sólido e por uma postura competitiva que pouco concedeu ao adversário. O Paysandu chega à decisão com a sensação de missão cumprida e confiança elevada. Mesmo com o foco total para a disputa da Série C, o Papão não quer abrir mão de chance de consolidar sua liderança em relação a títulos locais – atualmente, são 50 troféus estaduais. 

A final, marcada para os dias 1º e 8 de março, no Mangueirão, promete mobilizar Belém e o estado inteiro. O clássico entre Paysandu e Remo ganha contornos ainda mais interessantes porque o clube azulino segue dividindo atenções com a Série A, enfrentando Internacional (25.02) e Fluminense (12.03), também na capital paraense. O desafio azulino será equilibrar elenco, foco e energia em meio a um calendário apertado.

No fim das contas, o Parazão 2026 reafirma uma velha máxima: a tradição pesa. Apesar dos méritos e do crescimento de clubes do interior, como Águia, Cametá e Castanhal – estes dois últimos já garantidos na Série D de 2027 – prevaleceram os dois titãs do futebol da Amazônia. 

Paysandu e Remo voltam a decidir o título estadual, como em 2024 e em 2025. Mais uma vez, o interior desafia, cresce, incomoda, mas a taça insiste em orbitar a velha e poderosa rivalidade Re-Pa.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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