Publicado em: 20 de fevereiro de 2026
O período que antecedeu o Carnaval de 2026 registrou alta de 70% no volume de vendas associadas à palavra “carnaval” entre janeiro e as semanas prévias à folia no varejo digital brasileiro. O dado integra o estudo NuvemCommerce 2026 e indica que o smartphone foi o principal canal de decisão para compras de última hora.
Com projeção de faturamento de R$ 258 bilhões no comércio eletrônico nacional ao longo do ano, fevereiro tornou-se um teste operacional para as marcas que atuam no modelo direto ao consumidor (D2C). Segundo o levantamento, a capacidade de garantir que o produto chegue “antes do bloco” passou a definir a competitividade no período.
De acordo com o cofundador e presidente da Nuvemshop, que executou a pesquisa, Alejandro Vázquez, o intervalo entre a intenção de compra e a festa é curto, o que eleva a importância da entrega rápida. “O consumidor de 2026 é extremamente criterioso, mas, na semana que antecede a folia, a conveniência e o prazo de entrega superam qualquer outra variável de decisão. O lojista que remove fricções no checkout móvel e garante o recebimento do produto a tempo das festas captura o cliente que precisa resolver uma necessidade imediata”, afirma.
O atendimento via WhatsApp tornou-se instrumento central para confirmar prazos e esclarecer dúvidas. A ferramenta é utilizada por 73% dos lojistas da plataforma e funciona como canal direto de conversão nas compras realizadas por dispositivos móveis.
O estudo também identifica o Pix como principal meio de pagamento nas compras de última hora, responsável por 49% das transações no ecossistema analisado. A predominância do pagamento instantâneo está associada à necessidade de agilidade e conclusão imediata do pedido.
Entre os segmentos analisados, Moda e Beleza concentraram os principais resultados. O setor de Moda, que faturou R$ 2,9 bilhões no último ano, destacou-se pela adoção de estratégias digitais voltadas à antecipação da demanda. Segundo o relatório, 44% das marcas do segmento utilizam grupos VIP de WhatsApp para realizar “drops” exclusivos de coleções cápsula e acessórios, garantindo vendas antes do início oficial da folia.
No setor de Beleza, que apresentou crescimento de 44% no último ano, 69% dos lojistas utilizam o WhatsApp para comercialização consultiva de “kits de sobrevivência” voltados ao Carnaval. A estratégia busca converter a necessidade imediata em compra concluída dentro do próprio aplicativo de mensagens.
O levantamento indica que marcas em expansão utilizam dados para interpretar picos de acesso via mobile e ajustar estoques, campanhas e logística. Para Vázquez, a sazonalidade exige eficiência tecnológica. “Ao reduzir a fricção na palma da mão, o varejo digital brasileiro transforma a sazonalidade numa oportunidade de mostrar valor através da velocidade”, comenta.
Ele acrescenta que o desempenho do D2C durante o Carnaval está associado à construção prévia de relacionamento com o público. “O Carnaval é o ápice do varejo visual e emocional no Brasil. O sucesso que vemos no D2C não vem apenas de descontos, mas da capacidade da marca de criar uma comunidade fiel antes mesmo do feriado. Quem usa inteligência de dados para gestão e grupos de mensagens para exclusividade já começa o feriado com o estoque vendido”, reforça.
Apesar do avanço, o estudo aponta diferença tecnológica entre empresas consolidadas e iniciantes. Segundo o relatório, 48% dos lojistas de Moda ainda não utilizam tecnologias de personalização, o que evidencia margem de crescimento para o setor.
Os dados indicam que o Carnaval de 2026 funcionou como laboratório de agilidade para o comércio eletrônico brasileiro, evidenciando a centralidade do mobile, da logística acelerada e do relacionamento direto como fatores determinantes para o desempenho das vendas no modelo direto ao consumidor.
Foto em destaque: Alexandre Schneider (Getty Images) / via Agência Dialetto









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