Publicado em: 16 de fevereiro de 2026
Os Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas, desenvolvidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), receberam certificação de tecnologia social concedida pela Fundação Banco do Brasil. A certificação habilita o projeto a concorrer ao 13º Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, em edição especial pelos 40 anos da instituição, prevista para maio, além de integrá-lo à plataforma Transforma FBB, rede digital que reúne soluções sociais de diferentes países.
A iniciativa é resultado de parceria entre o Museu Goeldi, pesquisadores da Universidade do Novo México e comunidades indígenas. Com metodologia considerada replicável e impacto comprovado nas comunidades envolvidas, o projeto permite que povos indígenas desenvolvam seus próprios dicionários em ambiente multimídia. Ao todo, sete tecnologias sociais mapeadas pelo Observatório de Tecnologias Sociais do Museu compõem o conjunto de iniciativas da instituição, sendo que três já obtiveram certificação da Fundação Banco do Brasil.

A coordenadora do projeto, a pesquisadora do Museu Goeldi Ana Vilacy, avalia que o reconhecimento institucional fortalece a visibilidade da proposta e valida sua pertinência social. Segundo ela, “Ficamos muito felizes com a certificação porque ela reconhece os dicionários como uma resposta para a demanda social, que é a questão das línguas indígenas ameaçadas. Ao mesmo tempo, o certificado reconhece a ação política das comunidades indígenas falantes dessas línguas tradicionais, que querem retomar o aprendizado e a transmissão no seio das suas próprias comunidades”.
A pesquisadora destaca ainda que a certificação amplia o alcance da metodologia desenvolvida. “Com essa certificação, a tecnologia fica mais acessível em larga escala, torna-se mais conhecida dentro e fora do país, aumenta a visibilidade e o escopo de atuação desse trabalho”, afirmou. O projeto foi concebido com base em software livre, permitindo que qualquer comunidade interessada possa adotar a metodologia para criar seus próprios materiais linguísticos. “Utilizamos softwares livres de amplo acesso, que podem ser aplicados por qualquer grupo interessado em desenvolver seus próprios dicionários”, reforçou Ana Vilacy.
Atualmente, já estão disponíveis no portal do projeto dicionários das línguas Kanoé, Oro Win, Puruborá, Sakurabiat, Salamãi e Wanyam. Também integra o acervo o dicionário temático “Lugares sagrados dos Medzeniakonai”, elaborado pelo pesquisador indígena Artur Baniwa. Outros quatro dicionários (das línguas Makurap, Wayoró, Kujubim e Djeoromitxí) estão em fase de desenvolvimento, com lançamento previsto para este ano. Paralelamente, a metodologia vem sendo aplicada em atividades acadêmicas no curso intercultural indígena da Universidade Federal do Maranhão, onde professores e estudantes produzem vocabulários e pequenos dicionários de suas próprias línguas como parte das atividades curriculares.
Neste ano, a Fundação Banco do Brasil certificou 148 tecnologias sociais em todo o país. Todas concorrem ao 13º Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, que irá contemplar iniciativas nas categorias Novas Tecnologias Sociais e Desafio Fundação BB 40 Anos. O investimento total previsto é de até R$ 6 milhões em premiação e certificação. As finalistas serão divulgadas na segunda quinzena de fevereiro, e a cerimônia de premiação está marcada para 29 de maio.
Além dos Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas, outras duas iniciativas do Museu Goeldi foram certificadas pela Fundação Banco do Brasil em 2024: as Olimpíadas de Ciências de Caxiuanã e o projeto Replicando o Passado. Com a nova certificação, o Museu amplia sua presença em redes de inovação social e consolida a atuação em projetos voltados à valorização cultural e à preservação de conhecimentos tradicionais.
Fotos: Janine Valente / MPEG









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