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A Itaú Cultural Play incorpora ao seu catálogo, nesta sexta-feira (30), quatro produções cujos projetos foram contemplados pelo Rumos Itaú Cultural, edital criado em 1997 e reconhecido como um dos maiores mecanismos de incentivo à arte no país. Entre os títulos disponibilizados, o documentário “Transamazonia” (PA, 2019) se destaca ao conduzir o público por uma travessia profunda pela Amazônia e pelas vivências trans ao longo da Rodovia Transamazônica.

Dirigido por Bea Morbach, Débora Mcdowell e Renata Taylor, o longa-metragem parte da cultura amazônica para discutir desigualdade social a partir das trajetórias de duas travestis que vivem em extremos opostos da estrada. O percurso entre Marabá, no Pará, e Lábrea, no Amazonas, acompanha o cotidiano de Melissa, de 21 anos, que é mãe, e Marcelly, de 35, desempregada e residente com a família. Ao cruzar relatos pessoais com a paisagem marcada por promessas de desenvolvimento não cumpridas, o filme estabelece paralelos entre a violência estrutural sofrida por pessoas trans e as contradições históricas do projeto de ocupação da região.

“Transamazonia” se impõe como obra que sintetiza o espírito da seleção: um cinema atento às margens geográficas e sociais, capaz de colocar em diálogo território, identidade e memória. Ao transformar a Transamazônica em cenário e personagem, o documentário apresenta a estrada não apenas como via física, mas como símbolo de promessas frustradas e de sobrevivência cotidiana.

Lançado em 2019, o documentário recebeu o prêmio de Melhor Direção no 27º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, na capital paulista, no mesmo ano de sua estreia. A presença do filme na plataforma amplia o alcance de uma obra que articula território, identidade, exclusão e resistência a partir de uma perspectiva amazônica.

A seleção da Itaú Cultural Play reúne ainda outros três títulos contemplados pelo Rumos em diferentes edições, evidenciando a diversidade temática e geográfica do audiovisual brasileiro atual: os documentários “Fabiana” (SP, 2018)e “Memórias de um Esclerosado” (RS, 2024), além da animação “Curacanga” (BA, 2023).

O acesso ao catálogo é gratuito e pode ser feito pelo site, por smart TVs Samsung, LG, Android TV e Apple TV, aplicativos para Android e iOS, Chromecast, além das plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.

Em sintonia com o Dia do Quadrinho Nacional, celebrado também no dia 30, “Memórias de um Esclerosado” (RS, 2024) chega à plataforma com uma abordagem singular. Dirigido por Thais Fernandes e Rafael Corrêa, o documentário acompanha o cartunista gaúcho após o diagnóstico de esclerose múltipla recebido em 2010. Utilizando elementos estéticos das histórias em quadrinhos e um tom bem-humorado, o filme revisita a trajetória pessoal e profissional do artista.

A produção foi premiada no 28º Cine PE – Festival do Audiovisual, em Recife, com os troféus de Melhor Filme, Roteiro, Trilha Sonora, Ator Coadjuvante e Júri Popular, além de conquistar, no 54º Festival de Cinema de Gramado, os prêmios de Melhor Roteiro, Montagem, Desenho de Som e Trilha Musical.

Já a animação “Curacanga” (BA, 2023), dirigida por Mateus Di Mambro, mergulha no universo das lendas do interior baiano. Ambientada no Vale do Rio Corrente, a narrativa combina suspense e terror ao acompanhar o vaqueiro Agustinho em seu enfrentamento com a criatura mitológica de cabeça em chamas para vingar a família de Jaciara. O curta foi premiado como Melhor Filme na 6ª Mostra do Outro Lado – Cinema Fantástico, durante o 31º Festival de Cinema de Vitória.

Assim como “Transamazonia”, o documentário “Fabiana” (SP, 2018) também nasce de um projeto contemplado pelo Rumos 2015-2016 e apresenta vivências trans nas estradas do país. Dirigido por Brunna Laboissière, o filme acompanha a caminhoneira trans e lésbica Fabiana Camila Ferreira em sua última viagem antes da aposentadoria, após três décadas de trabalho.

Filmado a partir do banco do carona, o road-movie constrói um retrato íntimo da personagem, que fala sobre solidão, amor, sexualidade e os planos para o futuro fora da estrada. A produção integrou festivais internacionais como o International Film Festival Rotterdam, na Holanda, e o IndieLisboa, em Portugal, além de receber o Prêmio do Público no 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Sinopses

Memórias de um Esclerosado
De Thais Fernandes e Rafael Corrêa (Documentário, 75 min, RS, 2024)
Classificação indicativa: 14 – Drogas, linguagem imprópria e violência
Sinopse: Quando Rafael Corrêa, cartunista gaúcho recebe o diagnóstico de uma doença neurológica autoimune, decide revisitar sua trajetória, evocando passado, com vistas para o presente e imaginando futuros possíveis.
Com legendas descritivas.

Curacanga
De Mateus Di Mambro (Animação, 18 min, BA, 2023)
Classificação indicativa: A16 – Violência, drogas lícitas e medo
Sinopse: No Vale do Rio Corrente, entre o cerrado e a caatinga na Bahia, o vaqueiro Agustinho se apaixona por Jaciara. O que ele não imaginava é que teria que enfrentar a própria Curacanga para vingar a família de sua amada e conquistar seu coração.
Com legendas descritivas.

Fabiana
De Brunna Laboissière (Documentário, 89 min, SP, 2018)
Classificação indicativa: 12 – Conteúdo sexual, drogas lícitas e linguagem imprópria
Sinopse: Em sua última viagem, após 30 anos de estrada, a caminhoneira Fabiana Camila Ferreira compartilha um pouco de si e do seu olhar para o mundo antes de aposentar-se.
Com legendas descritivas.

Transamazonia
De Bea Morbach, Débora Mcdowell e Renata Taylor (Documentário, 75 min, PA, 2019)
Classificação indicativa: A12 – Nudez e drogas lícitas
Sinopse: Como um verdadeiro filme de estrada, o longa percorre a Rodovia Transamazônica captando encontros e paisagens entre as cidades de Marabá, no Pará, e Lábrea, no Amazonas. Melissa é uma mãe de 21 anos. Marcelly, aos 35, está desempregada. As duas são travestis que habitam pontos distintos dessa estrada que dilacerou o país.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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