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A partir de 30 de janeiro, a exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas”, que apresenta cerca de 80 obras de 21 artistas mulheres da região Norte do Brasil, poderá ser visitada gratuitamente pela população, com classificação etária livre. A mostra ocupa a CAIXA Cultural Belém (Porto Futuro II, Armazém 6A) até 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e marca a estreia do projeto do Museu das Mulheres (Museu DAS) na capital parauara, antes de seguir em itinerância por Fortaleza, Rio de Janeiro e Brasília.

A iniciativa foi selecionada no edital Petrobras Cultural, com recursos da Lei Rouanet e patrocínio exclusivo da Petrobras. A realização é do Governo do Brasil, com apoio da CAIXA.

Rafaela Kennedy

O conjunto expositivo reúne produções do Pará, Amazonas e Acre, contemplando diferentes linguagens artísticas, como pintura, gravura, escultura, fotografia, performance, arte digital, videoarte e registro audiovisual de grafite pioneiro. A proposta é oferecer um panorama amplo da produção feminina amazônica, articulando gerações distintas, desde obras presentes em acervos da década de 1970 até criações contemporâneas.

Segundo a diretora artística e curadora Sissa Aneleh, o recorte curatorial adota uma perspectiva decolonial. “O projeto tem um recorte curatorial decolonial, pautado nas questões de gênero, identidade, regionalismo e diversidade. Nosso objetivo é valorizar a autonomia artística das mulheres amazônicas e evidenciar suas narrativas, estéticas e territórios”, afirma.

Sissa Aneleh

As obras abordam temas ligados ao artivismo, ao corpo como suporte estético, à cultura indígena, à história afrobrasileira, à ancestralidade feminina, às tecnologias amazônicas e às biografias de mulheres que marcaram a região. O percurso expositivo convida o público a perceber a Amazônia não apenas como tema, mas como materialidade estética, território simbólico e força poética.

O diálogo entre tradição e contemporaneidade se estende também às propostas educativas e tecnológicas da mostra.

Ao longo dos 45 dias de exposição, serão realizadas três oficinas presenciais de economia criativa, voltadas ao fortalecimento da atuação profissional de mulheres nas artes visuais e plásticas. A programação formativa busca qualificar mulheres para atuação em produção executiva, projetos coletivos e organização de exposições.

Sissa Aneleh destaca que a proposta vai além da fruição artística. “Essas oficinas de economia criativa foram pensadas para o avanço das mulheres, ampliando a formação técnica e artística de quem está começando ou querendo começar uma carreira profissional no universo artístico e atuar em grandes projetos. Também oferecemos ao público infanto-juvenil atividades com esculturas sonoras inspiradas na natureza amazônica que podem ser tocadas e ouvidas, almejando outras formas sensíveis de conscientização ambiental por meio da arte com a Amazônia brasileira em suas mãos”, complementa.

Para o público infantojuvenil, a atividade Sons da Natureza propõe uma experiência sensorial com réplicas de esculturas inspiradas em sementes e sons de animais do Marajó.

Um dos núcleos centrais da exposição é o Espaço Petrobras Amazônicas, que conecta artes visuais, tecnologia e inovação. O espaço oferece uma experiência em realidade expandida, permitindo a visita virtual a parte das obras por meio do Metaverso das Mulheres, com uso de óculos 3D, navegação em 360 graus e interação com avatares em realidade aumentada.

Nesse ambiente imersivo, o público também participa da ativação coletiva “Mensagem para a Amazônia”, deixando registros em vídeo sobre a importância da preservação ambiental. O material integra a construção de uma obra colaborativa ao longo da itinerância da exposição.

A mostra reúne obras de Renata Aguiar (Pará); Keila Sankofa (Amazonas); Lúcia Gomes (Pará); Elaine Arruda (Pará); Elieni Tenório (Pará); Nina Matos (Pará); Diná Oliveira (Pará); Sanchris (Pará); Lise Lobato (Pará); Auxiliadora Zuazo (Amazonas); Rita Loureiro (Amazonas); Barbará Savannah (Pará); Rafaela Moreira (Pará); Auá Mendes (Amazonas); Wira Tini (Amazonas); Yaka Huni Kuin (Acre); Rita Huni Kuin (Acre); Rafaela Kennedy (Pará); Val Sampaio (Pará); Rafa Bqueer (Pará) e Cristiane Martins (Pará).

O projeto é coordenado pelo Museu das Mulheres, instituição fundada em 2022 e dedicada à valorização da produção artística, intelectual e cultural feminina, com atuação híbrida entre espaços físicos e plataformas digitais imersivas.

Informações sobre a programação gratuita e inscrições podem ser obtidas nos canais do Museu das Mulheres e da CAIXA Cultural Belém.

Imagem em destaque: Keila Sankofa

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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