Publicado em: 26 de janeiro de 2026
O Campeonato Paraense 2026 começou no último fim de semana com um roteiro bastante conhecido do torcedor local. Emoção contida, ajustes em andamento e a clara sensação de que ninguém está ainda no seu melhor momento – o que, para janeiro, é absolutamente normal. Remo e Paysandu venceram, cumpriram o protocolo da estreia e deixaram sinais importantes sobre o que pode (e precisa) evoluir ao longo da temporada.
Atual campeão estadual, o Remo abriu o Parazão no sábado (24), no Mangueirão, vencendo o Bragantino por 2 a 1, de virada. O filme do jogo foi praticamente uma reprise do duelo contra o Águia, pela Supercopa Grão-Pará, na semana anterior. Mais uma vez, o time do interior saiu na frente diante de um Leão mesclado na escalação, ainda buscando ritmo de jogo e longe da formação considerada ideal. Nada fora do esperado para um elenco com decisões importantes no horizonte.
O divisor de águas, novamente, esteve no segundo tempo. As alterações feitas pela comissão técnica deram outra dinâmica à equipe azulina, que passou a controlar mais o jogo e empurrou o adversário para trás. As entradas de Pikachu e Zé Ricardo foram determinantes para mudar o cenário da partida, qualificando a saída de bola e dando mais agressividade pelos lados. A resposta veio no placar e confirmou uma tendência: o Remo cresce quando seus principais nomes entram em campo – pelo menos, nos duelos locais.
Nesse contexto inicial, Eduardo Melo vai se firmando como referência ofensiva. Ainda não é um ataque totalmente ajustado, mas o camisa 9 tem cumprido bem o papel de incomodar a defesa adversária e oferecer presença de área. Fora das quatro linhas, porém, o clube viveu dias turbulentos, com ruídos internos que culminaram na saída do executivo de futebol Marcos Braz, episódio que expõe fragilidades administrativas num momento em que estabilidade seria o cenário ideal.
Agora, o foco azulino se desloca rapidamente para um desafio de peso: a estreia na Série A do Campeonato Brasileiro, contra o Vitória, nesta quarta-feira, em Salvador. O Parazão, neste contexto, funciona quase como laboratório — útil, mas secundário diante do calendário nacional que se impõe.
Do outro lado da rivalidade, o Paysandu também começou o estadual com vitória. Jogando na Curuzu, no domingo (25), o Papão bateu o São Raimundo de Santarém por 2 a 0, com gols de Ítalo e Kleiton Pego. O resultado foi tranquilo, mas a atuação deixou claro que o time ainda precisa ajustar muitas engrenagens, especialmente no meio-campo e na transição ofensiva.
Ainda assim, algumas peças chamaram atenção de forma positiva e acenderam a esperança do torcedor bicolor. O goleiro Jean Drosny passou segurança, o zagueiro Castro foi firme, Henrico mostrou boa leitura como volante, Marcinho tentou organizar o setor criativo e Ítalo demonstrou faro de gol. Para um time que inicia a temporada com foco total na Série C e o objetivo claro de buscar o acesso à Série B em 2027, esses sinais individuais são valiosos.
Aliás, fora do gramado, o Paysandu venceu uma batalha simbólica importante. Mesmo atuando em um estádio de menor capacidade e atravessando um momento delicado no cenário nacional, a Fiel compareceu em bom número e garantiu o melhor público da primeira rodada do Parazão – 12.047 pessoas presentes ao estádio “vovô da cidade”. Um recado direto: independentemente da fase, o torcedor segue sendo o principal patrimônio do clube.
Em síntese, a rodada inaugural do Parazão 2026 mostrou que Remo e Paysandu fizeram o dever de casa. Sem brilho excessivo, sem euforia precoce, mas com vitórias que trazem tranquilidade para o início do trabalho. A temporada está apenas começando – e os maiores desafios, no âmbito nacional, ainda estão por vir.
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista







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