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O pirarucu (Arapaima gigas) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum) são as estrelas de um estudo inédito conduzido pela Universidade Federal do Pará que vai decifrar seus conjuntos de DNA. Um dos resultados esperados é conter impactos causados pelo avanço da exploração predatória dessas espécies, explica o professor doutor Sidney Santos, que liderou a equipe do Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas. Os cientistas colheram amostras de mais de cem peixes.

O conhecimento do genoma das espécies permite saber a origem precisa do animal, a rastreabilidade genética, conforme esclarece o diretor do Instituto Socioambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia, professor doutor Igor Hamoy, que participou do estudo da UFPA. “Com a história que está dentro do genoma do pirarucu, por exemplo, eu consigo descobrir se o que está sendo vendido em Boston foi oriundo da Amazônia”. Ele salienta que toda a informação obtida pelo estudo é registrada em um banco genético público, possibilitando o avanço de novas pesquisas. “Eu consigo descobrir exatamente que espécie é aquela e não ter mais dúvidas se o nome científico ou o nome vulgar que está sendo utilizado por uma comunidade é realmente aquele peixe que aquela comunidade amazônica há muito tempo come, há muito tempo trabalha”, detalha.

Os pesquisadores conseguiram superar os principais entraves em relação à piscicultura do pirarucu e do filhote: a indução do hormônio sexual, nutrição adequada para ambientes artificiais e evitar que espécies amazônicas sejam comercializadas de forma ilegal.

De acordo com a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, o planejamento até 2030, previsto na Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb) foi pensado a partir do que a ciência aponta ser necessário para reduzir a perda de biodiversidade e regenerar os biomas brasileiros. Algumas políticas públicas dependem ainda mais dos genomas decifrados por cientistas, como é o caso da elaboração das listas de espécies exóticas invasoras e Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Outro exemplo citado pela secretária é o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado pelo governo federal em 2024.

“O genoma humano, que foi o primeiro, demorou dez anos para fazer, custou de US$ 2,5 a 3 bilhões. A partir daí, o poderio das máquinas foi aumentando. Hoje, com o MGI, que é o equipamento sequenciador de DNA que usamos, você consegue fazer 48 genomas humanos em 3 horas, a um custo, que eu espero que ainda diminua, de US$1,5 mil a US$ 2 mil no máximo”, revela o pesquisador Sidney Santos.

Por outro lado, o cientista destaca que o equipamento da UFPA é o único sequenciador genético do setor público da Amazônia, e há ainda o chamado “custo Amazônia” causado por dificuldades logísticas e operacionais. “O custo hoje está menor, mas não é um custo ainda acessível para qualquer pesquisador, para qualquer universidade. Então o parque tecnológico que a UFPA tem aqui, no Laboratório de Genética Humana e Médica, é um parque que consegue fazer tudo isso. Mas o insumo dessa pesquisa, por exemplo, tem que ser financiado. Então, são muitas linhas de pesquisa, que precisam de financiamento, especialmente aquelas que são pesquisas aplicadas”, acrescenta.

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