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Capital do Brega, Cidade das Mangueiras, Metrópole da Amazônia, Cidade Morena, Portal da Amazônia, Paris n’América, Belcity, BelHell.
São muitas as alcunhas de Belém que revelam simultaneamente a riqueza cultural de uma cidade que é interface entre o Brasil e a floresta e, paradoxalmente, uma profunda crise de identidade.
A primeira vez que me deparei com o tema da identidade da cidade e o termo belemismo foi ao ler um texto do professor Alex Fiúza, que falava da nossa necessidade urgente de uma utopia urbana que nos desse uma identidade capaz de posicionar Belém diante do mundo. Algo que, nos tempos de Antônio Lemos, já se buscava, mas que em algum momento se perdeu. Seja pela exclusão de camadas da população que de fato construíram e constroem esta cidade, seja pela crise econômica que veio após o declínio da borracha.
Buscar uma nova utopia urbana, humana, inclusiva e sustentável é o convite ao belemismo que faço aqui. Um convite para um movimento que já existe, nas redes em perfis que se dedicam a pensar a cidade que queremos. Como o pioneirismo do @telafirme, que levou o debate urbano para a periferia, depois o @archiurbe ampliando a discussão para a cidade como um todo, seguido do @amazoniaurbana_oficial, além dos perfis de memória e história como Michel Pinho, Belém Nostalgia e Belém Ontem e Hoje. Coloco-me também nesse campo, em @acilonhb, ao lado de colegas como @luizlipef.
O belemismo suprime a polarização. Está acima de partidos. É o que dá visibilidade à perda das mangueiras, à queda da samaumeira do CAN, à destruição do casarão da Senador Lemos. É o que nos faz debater o lixo, os serviços públicos e o futuro. É o que nos permite comparar o passado e projetar possibilidades. Algo que, num mundo ideal, deveria ser feito na CMB, entidade que já não responde ao seu chamado.
Em poucas palavras, o belemismo nos permite buscar uma utopia urbana coletiva, maior que as visões de Antônio Lemos. Uma Belém Morena, das mangueiras, do brega, do clássico. Uma cidade para chamarmos de nossa. Parabéns, Belém!

Acilon Cavalcante
Arquiteto e urbanista apaixonado por cidades, histórias e pessoas. Tem mestrado em Artes, mestrado em Arquitetura e é doutorando em Mídias Digitais pela Universidade do Porto. Premiado em projetos de planejamento urbano, já atuou com governos e ONGs no Brasil, Canadá e Portugal, sempre conectando urbanismo, design participativo e sustentabilidade. Gosta de transformar dados em ideias e ideias em cidades mais humanas.

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