Publicado em: 9 de janeiro de 2026
A produção científica, no mundo inteiro, enfrenta um obstáculo recorrente: grande parte do conhecimento gerado nas universidades permanece circunscrito ao ambiente acadêmico, distante do cotidiano da população. Na Universidade Federal do Pará (UFPA), uma iniciativa recente busca romper essa barreira ao utilizar a linguagem e o alcance das redes sociais para aproximar o público da biodiversidade amazônica e da rotina científica. Trata-se do projeto de extensão “Deixe seu like: divulgando a coleção zoológica da UFPA–Iecos no Instagram”, desenvolvido no Laboratório Integrado de Zoologia (Labzoo), vinculado ao Instituto de Estudos Costeiros (Iecos), do campus Bragança.
A proposta nasceu da inquietação de estudantes e pesquisadores diante da baixa circulação extra-acadêmica do conhecimento produzido no campus. Segundo a estudante de Ciências Biológicas Maria Eduarda Amorim, a equipe percebeu que “grande parte desse conhecimento permanece restrita ao meio acadêmico”, o que motivou a criação de uma estratégia para ampliar o alcance público das informações científicas. Sob orientação do técnico-administrativo e professor do Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental (PPBA), Rodrigo Petry Corrêa de Sousa, a estudante passou a desenvolver conteúdos digitais, incluindo folders educativos, vídeos no formato reels e postagens temáticas para o perfil do laboratório no Instagram.
Além de tratar de curiosidades sobre fauna amazônica, o projeto destaca o papel ecológico de espécies muitas vezes estigmatizadas ou invisibilizadas. Um exemplo é o gambá-de-orelha-branca (bichinho que nós conhecemos popularmente como mucura), frequentemente alvo de rejeição cultural, mas fundamental para processos de dispersão de sementes e controle de populações de insetos. Outras publicações auxiliam o público a entender aspectos anatômicos e taxonômicos, mostrando, por exemplo, como o formato das conchas dos moluscos ajuda na identificação das espécies. Parte do conteúdo também apresenta registros de excursões científicas e exposições promovidas pelo laboratório.

O perfil do Labzoo passou a ocupar, segundo a estudante, um espaço de interlocução entre universidade e público geral. Para ela, os efeitos são mensuráveis não apenas pelo crescimento da página, mas pelo engajamento qualitativo. Maria Eduarda explica que a iniciativa aumentou o alcance e a interação das publicações, estimulou o interesse por temas ambientais e fortaleceu “o reconhecimento institucional do projeto, evidenciado por premiações e pela valorização da divulgação científica como uma atividade relevante dentro do meio acadêmico”.
O desempenho rendeu ao projeto o Prêmio Horácio Schneider, concedido pelo Instituto de Estudos Costeiros para reconhecer a dedicação e o envolvimento de estudantes em atividades científicas. Tanto Maria Eduarda quanto seu orientador foram premiados na categoria Extensão.

Para a estudante, a extensão universitária possui valor estrutural na democratização do conhecimento. Ela afirma que projetos como o “Deixe seu like” constroem “pontes entre a universidade e a sociedade”, estimulando educação científica, pensamento crítico e consciência ambiental. Essa aproximação contribui para formar cidadãos capazes de reconhecer a relevância da ciência no cotidiano e de valorizar as coleções zoológicas como instrumentos essenciais para a preservação da memória biológica e para o avanço tecnológico e acadêmico.
Foto em destaque: Alexandre de Moraes / UFPA









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