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No  anárquico  sistema internacional¹, tão bem definido pela abordagem realista das relações internacionais, o multilateralismo, o sistema ONU e o Direito Internacional estão em frangalhos diante de tantos vilipêndios, promovidos por quem deveria defendê-los.

E as  guerras retornaram ao velho continente, até então o colchão protetor do ocidente contra elas. Uma Europa pega de supresa pelo ladino Putin e abandonada pelo egocêntrico e ” “magalomaníaco” Trump.

E no calor das guerras em curso, e das que estão por vir, nada se espere do Conselho de Segurança da ONU (lá as grandes potências, que promovem as guerras, têm o poder de veto a tudo que lhes é contrário).

A Carta da ONU não só deixou de ser lida, ela também tem sigo reiteradamente rasgada pelos Estados hegemôncios. E já passa do tempo de reagir. O sistema ONU necessita ser revisto e reconstruído. 

Ele foi ruindo ao longo do pós-guerra fria, com a inércia cúmplice da sociedade internacional, que também se cala diante do aquecimento global sem freios ou limites. E contra o qual deveria ser feita, sim, a mais justa e importante das guerras em favor da sobrevivência do planeta e da própria humanidade.

Uma das poucas novidades dos confrontos armados atuais , conforme Mary Kaldor (2007) ao tratar das ” novas guerras” é o fato de morrerem mais civis do que militares em confrontos. O século XXI já inicia com a “guerra ao terror”, após o ataque às Torres Gêmeas.

O que não se pode perder de vista é que o uso da força, o hard power do realismo das relações Internacionais, sempre preponderou no sistema internacional, demonstrando que, aqueles que detém poder não se importam com o Direito ( nacional ou internacional), muito menos com o meio ambiente ( em ebulição) e com as pessoas que morrem nos confrontos armados.


Não há nada, portanto, de novo no front, somente o armagedom climático, a novíssima e dramática ameaça à humanidade e que se encontra à espreita.

Até mesmo as atuais ações militares, que afrontam soberanias e fronteiras nacionais, são justificadas por velhas razões de segurança nacional, cujo inimigo apontado agora é o terrorismo ou o”narcoterrorismo”, termo da moda dos ditadores globais de plantão.

É para a geopolítica e  para a  economia política internacional que se pode olhar agora e buscar algumas respostas, mas não soluções…

¹ De acordo com a  abordagem Realista das Relações Internacionais, anaarquia significa a ausência de uma autoridade central ou governo mundial que imponha ordem, levando os Estados soberanos a buscar sua própria segurança e sobrevivência

João Cauby
João Cauby de Almeida Júnior é graduado em Administração e Direito pela Universidade Federal do Pará, especialista em Direito Administrativo e em Direito Tributário, mestre em Ciência Política e doutor em Relações Internacionais pela UnB. Atua como advogado, docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Meio Ambiente - ICEN/UFPA e integrante do Grupo de Pesquisa OBED/NAEA/UFPA.

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