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Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil, está na China para uma missão institucional que vai até 14 de janeiro. A agenda inclui articulações com instituições chinesas dedicadas à inclusão e aos direitos das pessoas com deficiência, além de diálogos diplomáticos orientados ao fortalecimento do multilateralismo na área da neurodiversidade.

O primeiro compromisso aconteceu na Embaixada do Brasil em Pequim, onde Guilherme de Almeida apresentou as frentes de trabalho da entidade ao ministro-conselheiro Rafael Leme e à diplomata Bárbara Policeno, responsável pela Diplomacia Pública, Imprensa e Cultura da missão brasileira no país. Segundo o relato da instituição, o encontro despertou interesse dos diplomatas, que sinalizaram disposição em apoiar a aproximação institucional entre organizações chinesas e brasileiras vinculadas aos temas da inclusão, deficiência e direitos humanos.

Segundo a Autistas Brasil, o objetivo da cooperação é estimular intercâmbio de metodologias, experiências e abordagens sobre políticas de deficiência, ensino superior inclusivo, inclusão laboral e governança institucional. O eixo central da missão é a circulação horizontal de conhecimento, uma lógica que remove a ideia de que políticas públicas em inclusão devam ser exportadas exclusivamente dos países mais ricos para os demais. Nesse sentido, a entidade defende o fortalecimento da cooperação Sul–Sul como vetor de inovação e justiça cognitiva.

Para Guilherme de Almeida, a ampliação da agenda internacional é estratégica diante da complexidade dos desafios contemporâneos. “Os desafios da inclusão são globais e não podem ser enfrentados a partir de um único eixo cultural ou político. A aproximação com instituições chinesas fortalece o multilateralismo, amplia a cooperação Sul–Sul e contribui para a construção de políticas públicas baseadas em direitos humanos, rigor técnico e respeito à diversidade humana”, afirmou.

A viagem insere-se em um movimento mais amplo da Autistas Brasil, que vem expandindo sua diplomacia institucional e participando de circuitos globais de formulação de políticas públicas. Nos últimos anos, a entidade tornou-se parceira do Stanford Neurodiversity Project, referência internacional em estratégias inclusivas no ensino superior e no mercado de trabalho. Em 2025, integrou ainda dois fóruns multilaterais de grande repercussão: um evento das Nações Unidas, em Andorra, e o Global Disability Summit, em Berlim, considerado o maior encontro global sobre políticas de deficiência.

Na China, a agenda inclui reuniões com a China Disabled Persons’ Federation (CDPF), organização responsável por representar institucionalmente pessoas com deficiência no país, além de entidades da sociedade civil como o One Plus One Group for Disability e a Beijing Xinmu Disability Assistance Foundation. Também estão previstas interlocuções com iniciativas internacionais como a Humanity & Inclusion e visitas técnicas a instituições educacionais e centros de pesquisa voltados à inclusão.

A Autistas Brasil é uma instituição fundada e liderada por pessoas autistas. Atua na formulação de políticas públicas, na incidência jurídica e na construção de programas educacionais em larga escala. Nos últimos três anos, suas ações alcançaram mais de 21 mil educadores no país, consolidando seu papel como referência nacional na agenda de neurodiversidade.

Foto em destaque: Ascom Autistas Brasil

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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