Publicado em: 8 de janeiro de 2026
A temporada 2026 começa com expectativas bem distintas, e igualmente desafiadoras, para a dupla RE-PA. O Clube do Remo inicia o ano vivendo talvez o momento mais promissor de sua história recente: com investimentos financeiros robustos, novas receitas e com a inédita disputa da Série A do Campeonato Brasileiro no formato em pontos corridos, o Leão Azul entra no radar nacional. Além disso, o Remo estreia na Copa do Brasil apenas a partir da quinta fase, o que amplia o potencial esportivo e financeiro do clube. Já o Paysandu vive um cenário mais cauteloso: flerta com o hexacampeonato da Copa Verde, entra na Copa do Brasil na terceira fase, mas concentra todas as suas energias na Série C, onde o objetivo é claro e inegociável: retornar à Série B. Em comum, também, claro, a disputa do Parazão – em que o Remo busca o bicampeonato e o Paysandu, manter a sua hegemonia na competição, já que é o maior vencedor, com 50 títulos.
No Baenão, o discurso é de ambição e responsabilidade. O Remo está agressivo no mercado e buscou reforços com perfil de Série A, mesclando experiência e potencial de rendimento imediato. A diretoria entendeu que não basta apenas participar da elite: é preciso competir. As contratações seguem uma lógica de fortalecimento estrutural do elenco, especialmente em setores que historicamente apresentaram fragilidades em temporadas anteriores.
Outro ponto que chama atenção nas movimentações azulinas é a preocupação com profundidade de elenco. O calendário será pesado, com Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e competições regionais, e o Remo tratou de qualificar não apenas os titulares, mas também as opções de banco. A leitura interna é clara: a Série A pune severamente quem não tem reposição à altura, e o clube tenta aprender com erros cometidos por outras equipes recém-promovidas. O desafio, agora, será transformar cifras em futebol competitivo, evitando o velho risco de montar elencos caros, porém desequilibrados.
O Remo reforçou seu elenco para 2026 com nomes de peso e experiência nacional: trouxe de volta a figura emblemática de Yago Pikachu, com boa carreira em Série A e forte identificação com o futebol paraense; o atacante Alef Manga, referência ofensiva com passagens por Coritiba, Avaí e Volta Redonda; o volante Zé Ricardo, com rodagem no Fluminense, Goiás e no futebol japonês; e ainda acertou a chegada de Carlinhos (atacante emprestado pelo Flamengo), do lateral-direito João Lucas (com passagens por grandes clubes brasileiros) e do volante Patrick de Paula, adicionando experiência e opções táticas para a disputa da Série A em 2026.
Na Curuzu, o cenário exige reconstrução e prudência. O Paysandu foi ao mercado com um perfil mais contido, priorizando contratações pontuais e compatíveis com a realidade financeira do clube. A diretoria trabalha para montar um elenco competitivo para a Série C, sem repetir os erros de apostas equivocadas que marcaram campanhas recentes. O foco é claro: menos nomes, mais comprometimento e funcionalidade dentro de campo.
Entre os nomes já integrados estão o atacante Ítalo, referência ofensiva com passagens por Volta Redonda e Amazonas; o experiente goleiro Jean Drosny; Danilo Peu e Kleiton Pego, opções para dinamizar o ataque; o lateral-direito JP Galvão; o zagueiro Castro; o meia Caio Mello; e Marcinho, encarregado de criar e organizar jogadas, além do jovem volante Henrico, aposta para o futuro do setor.
Paralelamente às contratações, o Paysandu promoveu um necessário enxugamento da folha salarial de funcionários, medida dura, porém inevitável diante do cenário financeiro delicado. A comissão de futebol, liderada pelo dirigente Alberto Maia, tenta organizar o clube de dentro para fora, estabelecendo critérios mais rígidos de gestão e tentando criar um ambiente minimamente estável para o futebol profissional.
Tudo isso acontece sob a gestão do novo presidente, o advogado Márcio Tuma, que assume o clube em meio a um desafio gigantesco. Depois de uma temporada desastrosa em 2025 e de problemas estruturais que se arrastam desde 2017, o Paysandu precisa mais do que reforços: precisa recuperar credibilidade, identidade e competitividade. O eventual título da Copa Verde pode ser simbólico, mas a Série C será o verdadeiro termômetro do trabalho.
No fim das contas, Remo e Paysandu iniciam 2026 carregando esperança, mas também pressão. O Remo terá que provar que dinheiro e planejamento podem sustentar um clube paraense na elite nacional. O Paysandu, por sua vez, precisa mostrar que é capaz de se reinventar antes que o passado recente se torne um fardo definitivo.
A provocação fica no ar: em um ano tão decisivo, quem estará realmente preparado para transformar promessas em resultados?
PS: Estou de volta neste precioso e relevante espaço, escrevendo sobre futebol paraense, após breve período de recesso de fim de ano.







Comentários