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Entre os dias 29 e 31 de dezembro, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicou as portarias de nomeação de 39 servidores efetivos do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), que deverão assumir seus nos próximos dias. São 17 pesquisadores, 12 analistas e 10 tecnologistas com formações diversas e atuação em campos que vão da biologia molecular à arqueologia, passando por linguística, museologia, veterinária, geociências, divulgação científica e tecnologias sociais.

Os nomeados terão até 30 dias para tomar posse e, posteriormente, mais 15 dias para entrar em exercício. Somando os quatro analistas admitidos em 2025, o Goeldi terá incorporado 43 novos concursados em pouco mais de um ano, após mais de uma década sem realização de concurso público e às vésperas de completar 160 anos.

A recomposição do quadro é tratada internamente como uma virada institucional. O diretor do museu, Nilson Gabas Júnior, afirmou que o momento é histórico: durante quase 12 anos, a instituição operou sem a possibilidade de repor servidores por concurso. Para ele, o ingresso de novos pesquisadores, analistas e tecnologistas é decisivo para garantir a continuidade das linhas de atuação do Goeldi, sobretudo naquelas ligadas à biodiversidade e à sociodiversidade amazônicas: “é fundamental termos novos servidores para olhar com estratégia o que precisa ser pensado, estudado e proposto para a Amazônia”.

Gabas destacou ainda três frentes que devem ganhar corpo a partir das novas contratações: Amazônia Negra, políticas públicas e tecnologias sociais. Segundo ele, o campo da Amazônia Negra representa uma agenda científica ainda pouco explorada na região e de valor estratégico para o museu e para o país. A ampliação do corpo técnico permitirá estruturar investigações sistemáticas sobre a presença, as histórias e as identidades negras na Amazônia.

Entre os nomeados, o sentimento dominante é de responsabilidade diante do papel desempenhado pelo Goeldi na ciência da Amazônia. A engenheira ambiental Yasmin Kitagawa, doutora pela Universidade Federal do Espírito Santo, foi nomeada analista em ciência e tecnologia e afirmou receber a conquista com seriedade. Para ela, “ingressar no serviço público federal é um compromisso com o desenvolvimento do Brasil”, e a nomeação representa a possibilidade de transformar pesquisa em resultados concretos para a sociedade, especialmente no enfrentamento dos desafios ambientais.

A arqueóloga Erêndira Oliveira, aprovada como tecnologista, destacou a importância do museu na construção da Arqueologia Amazônica e na compreensão da antiguidade dos povos da região. Ela lembrou que o acervo arqueológico sob custódia do Goeldi revela a presença milenar de diferentes culturas no território: “é uma honra integrar uma instituição cuja trajetória de pesquisa foi fundamental para compreender a profundidade temporal deste território e a diversidade de seus povos”.

O jornalista Tarcízio Macedo, parauara que cresceu visitando o Parque Zoobotânico, ingressará no quadro como tecnologista na área de comunicação pública da ciência. Em seu depoimento, enfatizou que o Goeldi é ao mesmo tempo museu, laboratório científico e espaço de memória coletiva. Citou que o museu não é apenas um centro de referência científica, mas também um território onde se acumulam história, afetos e identidades amazônicas, fatores que ajudam a explicar a longevidade e o vínculo da instituição com a população. Para ele, a aprovação traz a responsabilidade de contribuir para a manutenção desse legado e de apoiar o Goeldi como referência na produção e difusão de conhecimento sobre a Amazônia.

De acordo com a direção, existe a expectativa de que outros nove servidores sejam nomeados até o fim de 2026, podendo elevar o total de concursados para 52 profissionais. A expansão é feita no momento em que o país volta a discutir o papel das instituições científicas federais no enfrentamento da crise climática, na proteção da biodiversidade e na valorização dos conhecimentos tradicionais. No caso do Goeldi, essas dimensões estão presentes desde a sua fundação, em 1866, quando a instituição começou a documentar, catalogar e estudar espécies, povos e paisagens amazônicas.

A chegada de novos servidores também reflete a articulação entre política científica e políticas públicas. Ao mencionar a necessidade de propor soluções para a Amazônia, Nilson Gabas ressaltou que a pesquisa produzida no museu tem impacto direto em debates contemporâneos sobre conservação, desenvolvimento, direitos territoriais, inovação, educação e patrimônio cultural: “é preciso abrir novas frentes e propor políticas públicas, propor novas tecnologias, estudar aquilo que ainda é pouco estudado”.

O Goeldi, como a mais antiga instituição científica da Amazônia e uma das principais referências em pesquisa, documentação e divulgação de conhecimentos sobre a região, não deve apenas ser preservado e sim expandido. A nomeação de novos servidores dá continuidade de um legado histórico de pesquisa e renovação de agendas que dialogam com os desafios da Amazônia no século XXI.

Confira a lista dos servidores efetivos nomeados:

PESQUISADORES:

Portaria MCTI Nº 897, de 30 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União do último dia 31 de dezembro, lista 17 pesquisadores.

NOMESÁREAS DE ATUAÇÃO
Barbara Simoes Santos LealBiologia Molecular, com Ênfase em Bioinformática
Lucas Ferreira ColaresCiência dos Dados Aplicada à Sociobiodiversidade
Fernando Elias da SilvaEcologia e Conservação
Lis Fernandes StegmannComunicação, Divulgação e Popularização da Ciência
Josiane Santana MonteiroMicologia
Ana Carla Feio dos SantosAnatomia Vegetal ou Anatomia de Madeira
Julia MeirellesSistemática e Evolução de Fanerógamas
Kheytiany Hellen da Silva LopesBiotecnologia de Recursos Naturais
Paula Godinho RibeiroCiências dos Solos
Ana Paula Linhares PereiraGeociências – Geologia
Zoneibe Augusto Silva LuzGeociências – Geoquímica
Luciano Nicolas NakaSistemática e Evolução de Aves (Grupos Recentes)
Mario Jardim CupelloSistemática e Evolução de Insetos Holometábolos – Coleoptera ou Lepidoptera
Danilo Elias de OliveiraSistemática e Evolução de Insetos não Holometábolos
Igor Morais Mariano RodriguesEtnologia Indígena
Daniela Aparecida FerreiraArqueologia Amazônica
Helder Perri FerreiraLinguística

TECNOLOGISTAS:

A Portaria MCTI Nº 884, de 26 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União do último dia 29 de dezembro, lista 10 Tecnologistas.

NOMESÁREAS DE ATUAÇÃO
Suzana Lustosa de SousaTecnologia da Informação – Desenvolvimento de Software e Administração de Banco de Dados
Diana Cruz RodriguesTecnologias Sociais
Fuvio Rubens Oliveira da SilvaManejo da Flora
Laura Tavares MiglioLaboratório de Microscopia de Varredura – MeV
Ronaldo Magno RochaAnalista Químico
Erendira OliveiraArqueologia Amazônica
Roberta Graboski MendesBiologia Molecular
Tarcizio Pereira MacedoComunicação Pública da Ciência
Mônica Silva CoelhoMedicina Veterinária
Larisse de Fatima Farias da RosaMuseologia

ANALISTAS EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA:

Portaria MCTI Nº 888, de 26 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União de 29 de dezembro 2025, e Retificação, publicada no Diário Oficial da União de 30 de dezembro 2025, indica outros 12 Analistas em Ciência e Tecnologia.

NOMESÁREAS DE ATUAÇÃO
Romulo Magalhaes de SousaCiência de Dados
Elvis Gomes Marques FilhoDireito
Suzy Brito SousaDireito
Marusca Santana CustodioPolíticas Públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I)
Yasmin Kaore Lago KitagawaPolíticas Públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I)
Karolyne Sousa AmaralBiblioteconomia
Leticia Amedee Peret de ResendeQualquer área de formação
Flavia Bruna Ribeiro da Silva BragaQualquer área de formação
Claudia de Andrade Silva DuarteQualquer área de formação
Fabiola Rocha CairesQualquer área de formação
Tiago Cardoso GoncalvesQualquer área de formação
Karinne Lucena de SenaQualquer área de formação

Foto em destaque: O diretor do MPEG, Nilson Gabas Jr. (Janine Valente / MPEG)

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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