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A Petrobras paralisou a perfuração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Rio Amazonas, depois de reconhecer o vazamento de fluido no domingo, em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço, localizado no bloco FZA-M-059, em águas profundas do Amapá, a 175km da costa, na Margem Equatorial brasileira. Em nota, a estatal garantiu que o vazamento foi “imediatamente contido e isolado”, “as linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo”, “não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança “a ocorrência não oferece riscos à segurança da operação de perfuração” e que o fluido “atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas”. Os órgãos ambientais e de regulação foram notificados.

O Ibama concedeu a licença para exploração da Bacia da Foz do Amazonas no dia 20 de outubro de 2025. O poço tem uma profundidade total de 7.081 metros, dos quais 2.880 correspondem à profundidade da água. A perfuração da Petrobras na região é alvo de críticas de ambientalistas, porque concentra grande quantidade de fauna e flora marinha, além de a costa ter uma grande área de manguezal e de comunidades indígenas.

Conforme os próprios estudos da Petrobras apresentados ao Ibama, se um vazamento de petróleo na bacia da Foz do Amazonas atingir a fauna, para transportar um animal entre a sonda NS-42 e a unidade do Oiapoque a Petrobrás levaria, no melhor cenário, até 3h10min – usando helicóptero e transporte terrestre. Mas se precisasse levá-lo até Belém, apenas por via fluvial, o tempo variaria entre 30h30min e 45h30min. No Amapá só em março deste ano ficará pronta a construção projetada para atender espécies marinhas e costeiras, incluindo aves, répteis e mamíferos.

Em outubro do ano passado, 26 analistas ambientais recomendaram o indeferimento do projeto de exploração de gás. Além da questão do salvamento da fauna, especialistas alertaram na ocasião que não há aperfeiçoamento da modelagem de dispersão de óleo em caso de acidente.

O Ibama concedeu a licença de operação antes da Avaliação Pré-Operacional, um exercício de resposta a vazamento de óleo, que serve para avaliar  a capacidade da Petrobras em executar as estratégias indicadas. O vazamento de fluido é um alerta que não pode ser minimizado.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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