Publicado em: 6 de janeiro de 2026
O mês de janeiro, recorrentemente palco de rupturas, resistências e disputas por liberdade na história do Grão-Pará, será tema de reflexão pública na mesa-redonda “Janeiro Insurgente: do Levante Tupinambá à Cabanagem”, que será realizado no próximo dia 7 de janeiro, às 9h30, no Salão Transversal do Museu do Estado do Pará, em Belém. A atividade integra a programação comemorativa dos 410 anos da fundação da cidade e propõe uma leitura crítica sobre dois momentos centrais da história amazônica: o Levante Tupinambá, em 1619, e a Cabanagem, iniciada em janeiro de 1835.
A iniciativa é do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP), com apoio do Sistema Integrado de Museus da Secretaria de Estado de Cultura do Pará, e tem como objetivo problematizar as narrativas históricas tradicionais, destacando o protagonismo indígena e popular em processos de enfrentamento à dominação colonial e imperial.
Participam do debate a historiadora Magda Ricci, professora doutora com ampla produção sobre a Amazônia colonial e as revoltas populares, e Danielle Anambé, pesquisadora indígena que atua na interface entre história, memória e territorialidade. A mediação será da professora doutora Dayseane Ferraz, sócia efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e ocupante da cadeira nº 33, patronímica de Paul Le Cointe.
O encontro parte da constatação de que janeiro ocupa um lugar de grande importância na história regional. Em 1619, povos Tupinambá se insurgiram contra a invasão europeia e a instalação do núcleo colonial sobre antigos territórios indígenas. Mais de dois séculos depois, em janeiro de 1835, Belém foi tomada pelos cabanos, em um levante liderado por Eduardo Angelim e sustentado majoritariamente por indígenas, caboclos, pessoas escravizadas e populações expropriadas do acesso à terra, em oposição à ordem imperial.
Ao colocar esses dois episódios em diálogo, a mesa-redonda tem como objetivo evidenciar continuidades e rupturas nas formas de resistência amazônicas, bem como discutir como esses acontecimentos são lembrados (ou silenciados) nos espaços de memória, na historiografia e no debate público contemporâneo. A proposta é também refletir sobre como essas lutas do passado dialogam com demandas atuais por reconhecimento, justiça histórica e direito à autodeterminação dos povos da região.
A programação prevê quarenta minutos de exposições iniciais das convidadas, seguidos de debate aberto com o público. Os participantes receberão certificado com carga horária de três horas. A atividade é gratuita e aberta à comunidade, correspondente ao processo descolonizador dos museus e instituições de memória, corroborando para que estes ampliem seu papel como espaços vivos de reflexão crítica sobre a história.









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