Publicado em: 5 de janeiro de 2026
O número de feminicídios e tentativas de feminicídio cometidos com arma de fogo cresceu 52% em 2025 nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém. O dado consta de levantamento do Instituto Fogo Cruzado, que identificou ao menos 50 mulheres cis e trans vítimas desse tipo de violência ao longo do ano, contra 33 casos registrados em 2024. O aumento dos casos está inserido num contexto de repetição de ataques em curtos intervalos: apenas em novembro, cinco mulheres foram baleadas em um período de dez dias.
O estudo chama atenção para um agravante: em média, a cada quatro feminicídios praticados com arma de fogo em 2025, um foi cometido por agente de segurança. Ao todo, foram 12 casos envolvendo profissionais das forças do Estado, um número superior ao de 2024, quando oito ocorrências desse tipo foram contabilizadas. O dado evidencia a circulação e o uso de armas institucionais ou particulares por agentes treinados, ampliando o risco para mulheres em contextos de violência doméstica e de gênero.
No Pará, três feminicídios com arma de fogo foram registrados na região metropolitana de Belém em 2025. Um deles envolveu agente de segurança. Bruna Meireles Corrêa, de 32 anos, foi morta a tiros pelo ex-namorado, o policial militar Wladson Luan Monteiro Borges, após uma discussão. A vítima foi baleada dentro do veículo do agente, no dia 12 de março, no bairro da Pedreira, em Belém. O caso deixa claro o perigo que envolve o acesso privilegiado às armas e o impacto disso na letalidade da violência de gênero.
No Rio de Janeiro, que concentrou 21 vítimas em 2025, os casos recentes ilustram a brutalidade e a previsibilidade de ataques armados. No dia 30 de novembro, Andrielli Malaquias Messias, de 17 anos, foi baleada pelo ex-namorado na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste. O agressor foi até a casa da jovem e usou uma criança para atraí-la ao local antes de disparar diversas vezes. Dois dias antes, em 28 de novembro, Allane de Souza Pedrotti Mattos e Layse Costa Pinheiro foram mortas a tiros dentro do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) do Maracanã, na Zona Norte. O autor dos disparos, funcionário da instituição, tirou a própria vida em seguida.
Em Salvador e na região metropolitana, onde 11 casos foram mapeados em 2025, Rayane Barreto Marques dos Santos, de 20 anos, foi assassinada pelo namorado dentro de um apartamento no Residencial Lagoa da Paixão, no bairro Moradas da Lagoa, em 22 de novembro. No dia anterior, Joseane Cássia dos Santos foi encontrada morta, com marcas de tiros, dentro de um veículo estacionado em um supermercado na Avenida Elmo Serejo de Farias, no bairro da Cia I. Um homem encontrado sem vida no local teria sido o autor dos disparos.
Na região metropolitana do Recife, 15 mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa em 2025. Um dos primeiros casos do ano ocorreu em 25 de janeiro, quando Solange Vieira de Oliveira, de 50 anos, foi morta a tiros pelo companheiro dentro de casa, na Rua Cabo Hermito de Sá, no Brejo da Guabiraba. O episódio evidencia a permanência do risco letal em ambientes domésticos, onde a arma de fogo potencializa conflitos previamente marcados por controle e violência.
Os dados do Instituto Fogo Cruzado são produzidos a partir de metodologia própria e de um sistema colaborativo de monitoramento em tempo real, que reúne informações verificadas sobre tiroteios e violência armada. A organização mantém o único banco de dados aberto da América Latina sobre o tema, com mais de 50 indicadores inéditos, acessíveis gratuitamente por meio de relatórios e de uma API pública. O crescimento dos feminicídios com arma de fogo em 2025, especialmente quando envolve agentes do Estado, reforça a urgência de políticas de controle de armas, prevenção da violência doméstica e responsabilização efetiva dos agressores.









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