Publicado em: 5 de janeiro de 2026
A exposição “Uma Belém no Olhar de Alguém” propõe uma leitura sensível, profunda e plural da capital parauara a partir da fotografia e abrirá ao público no dia 8 de janeiro, às 19h, no Centro Cultural Banco da Amazônia. A mostra integra as comemorações pelos 410 anos de Belém e reúne o trabalho de 20 fotógrafos, cujas imagens constroem um retrato múltiplo da cidade, ancorado na memória, no cotidiano e nas camadas históricas que moldam sua identidade. São eles: Alexandre Baena, Andréa Noronha, Bizi, Celso Lobo, Déia Lima, Fabíola Tuma, Fatinha Silva, Guy Veloso, Iza Girard, Janduari Simões, Marcelo Vieira, Maria Cristina Gemaque, Mariano Klautau Filho, Marise Maués, Nádia Borborema, Patrícia Brasil, Renato Neves, Rosana Uchôa, Rosário Lima, Valério Silveira e Wagner Santana.
Com curadoria de Emanuel Franco, a exposição parte do princípio de que Belém não pode ser compreendida por um único ponto de vista. Ao contrário, revela-se como um organismo vivo, atravessado por tempos distintos, culturas diversas e contrastes permanentes.
O texto curatorial, assinado pela historiadora e antropóloga Dayseane Ferraz, orienta essa imersão ao afirmar que “olhar Belém é entregar-se a uma imersão profunda em um caleidoscópio cultural, onde cada fragmento reflete múltiplas camadas de tempo, de memória e de pertença”. A autora descreve a capital amazônica como uma “urdidura urbana complexa, polifônica e pulsante”, em que a paisagem urbana combina a força de uma metrópole com a delicadeza de uma cidade ribeirinha.
A narrativa construída pela exposição percorre elementos centrais da paisagem belenense: as mangueiras centenárias, as sombras que moldam o ritmo da vida urbana, os prédios históricos que guardam marcas do período colonial, do barroco, do neoclássico e do art nouveau. Esses traços arquitetônicos convivem, sem ruptura, com palafitas, trapiches, pontes e áreas alagadas, revelando uma cidade marcada pela adaptação constante ao território amazônico.
A dimensão cultural também ocupa lugar central na mostra. Dayseane Ferraz destaca que de Belém “emana uma cultura viva, herdeira de saberes e fazeres ancestrais que seguem o rastro da Mairi Tupinambá”. Essa herança manifesta-se nos mercados, nas feiras, nos becos e, de forma emblemática, no Ver-o-Peso, apresentado como um espaço simbólico onde gastronomia, comércio e tradição se entrelaçam. Os odores do açaí, do peixe frito e das ervas amazônicas compõem, segundo o texto, uma verdadeira “liturgia sensorial”.
O rio, elemento estruturante da cidade, surge como presença constante nas imagens e na reflexão proposta. Ele é descrito como um espelho móvel por onde transitam casquinhos, canoas e barcos, marcando o ritmo da vida cotidiana e reforçando a relação íntima entre Belém e as águas. Essa ligação ajuda a compreender a cidade como território cabano, caboclo, indígena e negro, onde manifestações culturais como o carimbó, o batuque e o Círio de Nazaré expressam pertencimento, fé e resistência.
Ao revisitar Belém por meio das lentes fotográficas, a exposição não se limita à contemplação estética. Ela propõe uma leitura crítica e afetiva da cidade, evidenciando como Belém soube dialogar com influências europeias sem abrir mão de sua essência ribeirinha e amazônica. Nos rituais cotidianos, na música, na culinária e na arquitetura, a cidade aparece como um espaço de síntese, onde diferentes temporalidades coexistem.

A equipe de produção e montagem é formada por Leandro Blanco, Edson Luna e Leonardo Flores, que respondem pela organização espacial e técnica da exposição. A impressão das imagens e dos textos foi realizada pela Maxcolor, enquanto a impressão do catálogo ficou a cargo da Gráfica Alves. A assessoria de comunicação é assinada pela Holofote Virtual em parceria com a Comunicação Arte Mídia, responsáveis pela divulgação institucional da mostra. A realização e o patrocínio são do Banco da Amazônia, com apoio do Governo do Brasil.










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