Publicado em: 22 de novembro de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi detido pela Polícia Federal na manhã deste sábado (22), por volta das 6h, em Brasília. A ação cumpriu determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que converteu a prisão domiciliar em prisão preventiva. A medida, de caráter cautelar, não foi por causa da condenação pela tentativa de golpe de Estado, mas foi imposta para garantir a ordem pública e evitar risco de evasão. Bolsonaro foi levado para a Superintendência da PF na capital federal e deverá passar por audiência de custódia no domingo (23). Sua esposa, Michelle Bolsonaro, não estava na residência no momento da detenção.
A decisão do ministro, que determinou que a prisão deveria ser feita sem algemas e sem exposição midiática, foi tomada horas depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho de Jair, publicar, na noite de sexta-feira (21), um vídeo convocando apoiadores para se concentrarem na entrada do condomínio do ex-presidente. Na gravação, ele instou seguidores a “reagir” e ocupar o local. O conteúdo motivou o pedido da Polícia Federal ao STF para converter a medida cautelar, sob o argumento de que a convocação representaria ameaça à ordem pública e poderia dificultar o cumprimento da prisão domiciliar. Na foto em destaque, o único registro do momento até agora, feito por um transeunte e divulgado nas redes, que mostra um carro da PF em frente ao condomínio de Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro afirmou: “— Com a sua força, a força do povo, a gente vai reagir e resgatar o Brasil desse cativeiro que ele se encontra hoje”. Na sequência, acrescentou: “— Vamos pedir a Deus que aplique a sua justiça aos que perseguem tanta gente inocente e ajudam os verdadeiros bandidos a se manterem no poder. Não tem mal que dure para sempre”.
No despacho, Moraes escreveu que “o tumulto causado pela reunião ilícita de apoiadores do réu condenado tem alta possibiliadde de colocar em risco a prisão domiciliar imposta e a efetividade das medidas cautelares, facilitando eventual tentativa de fuga”.
Entre os pontos destacados pelo ministro está o registro de violação do equipamento de monitoramento eletrônico utilizado pelo ex-presidente. O STF foi informado pelo Centro de Monitoração Integrada do Distrito Federal às 0h08 deste sábado (22), conforme relatado por Moraes. O documento afirma:
“O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Corte a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025. A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”.
O ministro observou ainda que o teor da convocação da vigília poderia indicar tentativa de usar apoiadores para obstruir a fiscalização da Polícia Federal e da Polícia Penal do Distrito Federal no local do cumprimento da medida.
Outro elemento considerado pelo STF foi a localização da residência de Bolsonaro, situada a cerca de 13 quilômetros da embaixada dos Estados Unidos em Brasília, uma distância que pode ser percorrida em aproximadamente 15 minutos, de carro. Moraes afirmou que tal circunstância configurava um fator adicional de risco, citando investigações anteriores: “Rememoro que o réu, conforme apurado nestes autos, planejou, durante a investigação que posteriormente resultou na sua condenação, a fuga para a embaixada da Argentina, por meio de solicitação de asilo político àquele país”.
Bolsonaro já havia pedido asilo, ano passado, para a Embaixada da Argentina, e ensaiado uma fuga, durante o carnaval deste ano, para a Embaixada da Hungria.
A decisão também recorda que aliados do ex-presidente deixaram o território nacional enquanto eram alvo de processos. Moraes declarou:
“Não bastassem os gravíssimos indícios da eventual tentativa de fuga do réu Jair Messias Bolsonaro acima mencionados, é importante destacar que o corréu Alexandre Ramagem Rodrigues, a sua aliada política Carla Zambelli, ambos condenados por esta Suprema Corte; e o filho do réu, Eduardo Nantes Bolsonaro, denunciado pela Procuradoria-Geral da República no STF, também se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo de se furtar à aplicação da lei penal”.
Na sexta-feira (21), Bolsonaro havia sido visto na porta da garagem de sua residência usando a tornozeleira eletrônica e acenando para apoiadores durante visita do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Ainda no contexto de evasões citadas por Moraes, foi decretada, também na sexta-feira (21), a prisão do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e condenado a 16 anos no processo da trama golpista, Ramagem estava proibido de deixar o país, condição imposta pelo próprio ministro. No entanto, reportagem do site PlatôBR divulgada na quarta-feira (19) registrou sua presença em um condomínio em Miami, Estados Unidos.
A Câmara dos Deputados informou, no dia 20, não ter autorizado missão oficial no exterior nem ter sido comunicada sobre sua saída do país. O parlamentar havia apresentado atestados médicos cobrindo períodos entre 9 de setembro e 8 de outubro e de 13 de outubro a 12 de dezembro. Após a divulgação da viagem, parlamentares do PSOL solicitaram ao STF a prisão de Ramagem. Sua defesa declarou que não iria se manifestar. Até o momento, detalhes sobre a suposta fuga não foram oficialmente divulgados.
O ministro Alexandre de Moraes concluiu que a mobilização diante do condomínio poderia reproduzir um “modus operandi” já observado, com uso de manifestações para gerar tumulto e buscar “vantagens pessoais”.
Leia a decisão, na íntegra:










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