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A manhã deste sábado (15) aconteceu talvez a maior mobilização ambiental já vista nas ruas de Belém. A Marcha Global pelo Clima percorreu a cidade por aproximadamente três horas, com encerramento às 11h38, e há especulações de que reunil quase cem mil participantes. O cortejo avançou desde as 9h, do Mercado de São Brás até seu destino final, a Aldeia Cabana e contou com várias performances rituais dos povos indígenas e artísticas, como o Funeral dos Combustíveis Fósseis da Escola de Teatro e Dança da UFPA e o Arrastão do Pavulagem.

Delegações de diferentes partes do mundo se juntaram ao movimento, que claramente teve o protagonismo da sociedade civil parauara e amazônida, com presença massiva dos povos originários e tradicionais. Durante os preparativos, chegou a circular a informação incorreta de que Greta Thunberg participaria do ato. A ativista, no entanto, não viaja de avião devido às emissões de carbono e mantém a postura de evitar protagonismo em mobilizações cujos centros de luta são os povos originários e comunidades tradicionais, responsáveis pela proteção efetiva da Amazônia.

A ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, caminhou com os manifestantes durante um trecho da manifestação. Em entrevista durante o percurso, ela destacou que a marcha reúne “aqueles que sofrem o problema da emergência climática e que têm o propósito de ajudar a resolvê-lo”. Em seguida, completou: “Por isso, que essa COP é a COP da verdade da implementação”.

Na Aldeia Cabana, onde os últimos grupos chegaram ao fim da manhã, falas de lideranças e representantes da organização reforçaram mensagens sobre justiça climática, transição energética e a necessidade de maior responsabilidade dos governos que estarão à frente das negociações da COP 30.

A marcha deste sábado foi parte da programação ampliada da Cúpula dos Povos que, ao longo da semana, intensificou debates, assembleias e atividades na Universidade Federal do Pará (UFPA) e em outros pontos da capital. Lideranças de 62 países, movimentos sociais e representantes de povos tradicionais participaram das discussões, que abordaram desde impactos da crise climática até denúncias sobre as chamadas “falsas soluções”.

No domingo (16), será a entrega da Carta dos Povos, com participação de delegações de todas as regiões do mundo. O documento sintetiza demandas urgentes relacionadas ao enfrentamento da crise climática, defesa de territórios e proteção dos modos de vida tradicionais e será entregue ao presidente da COP 30, embaixador André Correa do Lago, que tem mantido um relacionamento de diálogo e compreensão com as lideranças indígenas que têm protestado por sua exclusão na tomada de decisões durante a conferência da ONU, além de questões como a privatização dos rios, o ferrogrão e a não-demarcação de territórios.

Também no domingo acontecerá Banquetaço, às 14h, na Praça da República. O ato terá distribuição de alimentos como gesto político de valorização da agroecologia, da soberania alimentar e de práticas tradicionais de produção, reiterando a centralidade das populações que cultivam e defendem os territórios amazônicos.

Belém é, hoje, um grande palco de convergência global em torno do enfrentamento às crises climáticas e humanitárias e da cobrança por ações concretas. Este é, talvez, o maior legado que a COP30 irá deixar.

Fotos e vídeos: Gabriella Florenzano

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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