0
 
O presidente da Alepa, deputado Márcio
Miranda(DEM), recebeu os professores doutores Remo Magalhães de Souza, Roberto
Pacha e Carlos Ribeiro Araújo, da UFPA, e discutiu com eles o projeto da
ferrovia que interligará o município de Água Boa(MT), na região do Araguaia, a
Marabá(PA), e que será alvo de uma operação de crédito, da ordem de R$1 bilhão,
cujo pedido de autorização legislativa deverá ser encaminhado em breve pelo
governador Simão Jatene(PSDB). O projeto tem caráter estratégico nacional e
Pará e Mato Grosso trabalham em conjunto para dividir e reduzir custos, o que
inclui a possibilidade de instituição de Parceria Público-Privada (PPP) e a
participação do governo federal.
A proposta inicial da ferrovia é de
Água Boa(MT) até o porto de Vila do Conde, em Barcarena(PA), com traçado
paralelo às rodovias BR-158, PA-150, BR-222 e BR-010 (cerca de 1.860 Km, ou, em
linha reta, 1.570 Km), investimento estimado em mais de R$ 3 bilhões.
A conclusão do trecho até Marabá reduziria
os custos iniciais em cerca de um terço, com aproveitamento da multimodalidade,
fazendo o percurso ao porto de Vila do Conde através da hidrovia
Tocantins/Araguaia, cuja viabilidade – com o derrocamento do pedral do Lourenço
e serviços complementares, de dragagem e sinalização – está prometida pelo
governo federal. Numa segunda fase, a construção de duas linhas da ferrovia,
uma até Barcarena, e outra até o futuro porto de Espadarte, em Curuçá,
completaria o desenho da logística de transportes.
A ideia é escoar com maior rapidez,
segurança e custos baixos a produção do Mato Grosso – o maior produtor
brasileiro de soja, produz 20,4 milhões de toneladas em área plantada de 6,4
milhões de hectares e, de acordo com o IMEA, em 2022 pode chegar a mais de 70
milhões de toneladas – e, no retorno do porto de Vila do Conde, transportar
fertilizantes – é o maior consumidor do País.
Marabá, como se sabe, é um polo com
extraordinária importância estratégica, eixo de integração. Sua localização
geográfica privilegiada promoveu a convergência da BR-163, BR-230, BR-155 (antiga
PA-150), BR-222, BR-153, hidrovia Tocantins/Araguaia e a estrada de ferro Carajás,
onde circula o maior trem de carga do mundo, com 330 vagões e cerca de 3.500
metros de extensão, e que permitiu à Vale elevar a capacidade de movimentação
de minério de ferro para 230 milhões de toneladas desde o ano passado.
O projeto já foi discutido, quando de
recente visita ao Pará do presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso,
José Geraldo Riva, em reunião com o governador Simão Jatene, deputado Márcio
Miranda e os titulares das Secretarias de Desenvolvimento Econômico e Incentivo
à Produção, Sidney Rosa, e de Indústria, Comércio e Mineração, David Leal, o
secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia do Mato Grosso Alan Zanatta,
e os assessores parlamentares Nelson Salim Abdala e André Nóbrega, da equipe
mato-grossense. Na ocasião, ficou acertado que cada Estado investiria R$1
bilhão para viabilizar a ferrovia.
Márcio Miranda já agendou uma sessão
especial na Assembleia Legislativa de Mato Grosso e outra no Pará, a fim de
divulgar a ideia para o setor produtivo e toda a sociedade, e como modo de
atrair investidores. E está promovendo o intercâmbio da Academia com os
técnicos do governo, liderados pelo secretário David Leal, que está encarregado
pelo governador Simão Jatene de cuidar do tema.
Há um verdadeiro boom ferroviário em curso. O traçado da ferrovia Norte-Sul prevê a
ligação do município de Açailândia, no Maranhão, ao Porto de Vila do Conde, em
Barcarena, cortando 9 municípios paraenses (Dom Eliseu, Ulianópolis,
Paragominas, Ipixuna do Pará, Tomé-Açu, Acará, Abaetetuba, Moju e Barcarena).
 A obra faz parte da ferrovia
Norte-Sul, que integrará a região ao restante do País. A concessão da
ferrovia deverá custar ao governo federal cerca de R$ 4 bilhões, e a Valec ficou
de promover os leilões de concessão pública das linhas até o final do ano, para
transporte de mercadorias e passageiros.
O governador Simão Jatene e o
presidente da Alepa estão pleiteando junto ao governo federal que o projeto da Norte-Sul,
a EF-151, contemple a ligação à rota do futuro “Condomínio Portuário e Industrial
do Espadarte”, no nordeste do Pará, e a implantação de pelo menos três
estações de embarque e desembarque de carga e passageiros em território
paraense.
O projeto do Porto de Espadarte, propício
para receber navios de grande porte, de até 500 mil toneladas, está em fase de
estudos ambientais.

Outro projeto que está unindo Pará e Mato
Grosso é o da construção de uma ferrovia paralela ao eixo da BR-163, a rodovia
Santarém-Cuiabá, com aproveitamento do porto de Santarém, que está em expansão.
A China já demonstrou interesse em participar do investimento. O grupo
interessado é o China Railway Engineering Corporation, responsável pela
construção e administração de quase metade dos 90 mil Km de ferrovias
existentes em território chinês.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

Dica de cinema

Anterior

Galeria Uruá-Tapera

Próximo

Você pode gostar

Comentários