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FOTO: RONALDO FRANCO
Nas palavras de Orly Bezerra, as minhas despedidas e homenagem à memória do Afonso Klautau. Na foto de Ronaldo Franco, Afonso fazendo uma das coisas que mais gostava, com Chembra Bandeira, outro marco do jornalismo parauara.
“Há uma semana recebi uma ligação do Afonso Klautau que, de bate pronto, foi logo me dizendo: já sabes? Vou precisar fazer um transplante de fígado. Tomei um susto. A voz dele estava diferente, num tom bem mais baixo. Mas logo foi dando detalhes, com entusiasmo, das possibilidades de sucesso da cirurgia, que seria feita em Fortaleza, para onde viajaria no final de semana seguinte. Nos despedimos.
E fiquei com a sensação de que, mais uma vez, ele venceria a briga com a morte. Mas, dessa vez, não deu. Perdi um amigo e companheiro de muitas jornadas. De muitas vitórias inesquecíveis. E de algumas derrotas desafiadoras. 

Conheci o Afonso em 1974 quando diagramei um jornal do movimento estudantil da UFPa., que ele participava junto com outros amigos. Três anos depois nos reencontramos na redação do jornal O Liberal e, de lá pra cá, sempre estivemos próximos. Vivemos bons momentos na saudosa redação do jornal Estado do Pará e na implantação do jornalismo da Tv Cultura, que ele tinha acabado de assumir depois de ter voltado do seu mestrado em São Paulo. 

Mas foi o marketing político que nos aproximou mais. Nossa primeira experiência juntos foi em 1990 na campanha do Said Xerfan. Depois disso, a cada dois anos, lá estávamos formando equipes, discutindo ideias, definindo estratégias, formatando programas, criando comerciais, enfim, trabalhando feito loucos para fazer o melhor por uma campanha. As do Almir Gabriel e do Jatene foram memoráveis. O Afonso tinha uma mente privilegiada e conhecia televisão como poucos: sabia o time exato desse veículo e usava com maestria o texto: ora para criticar, ora para emocionar. Formou uma geração. Eu Aprendi muito com ele. E como não existe campanha sem estresse, não foram poucas as vezes que, no ardor dos debates, as discussões acabassem com alguns arranhões. Mas nada que não fosse resolvido, dias depois, em meio a uma boa cervejinha, como ele carinhosamente apelidava uma “loura”.
 

Afonso, uma cervejinha! Onde você estiver. Saudades.”
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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