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19 de março, dia de São José, José de Nazaré, Yosef, em hebraico, Iosephus, em latim, São José Operário, o Padroeiro dos Carpinteiros, dos Trabalhadores, da Família, – afinal não custa nada lembrar de São José com um “Tekton”, na acepção grega, – algo comum àqueles da construção civil, provavelmente hoje um arquiteto ou engenheiro.

São José viu seu cajado florescer, como o sinal da divina missão, em uma reunião de prováveis pais do Messias. Flores no cajado simbolizam que da vara que conduz e que ampara a velhice haverá de brotar o boa-nova.

E a boa-nova era, no caso, para José instruir o Jesus-menino a ter a divina paciência em sua adolescência e maturidade – entre 12 e 30 anos, uma vez que os fariseus, espantados com a sabedoria do Menino Deus, silenciaram-nO sob ameaças.
O que se sabe de Jesus entre 12 e 30 anos se explica pela postura de São José, o construtor, o arquiteto, o mestre na arte da discrição, o educador, o pedagogo exemplar cuja única impaciência se revelou no sumiço repentino do Menino Jesus que diria “Porventura, não estaria eu na casa do meu Pai?!”.
  
Falar do pai terreal de Jesus é se deparar com um homem que em a postura do magister – o comportamento do Mestre.

São José participa do panteão de um reino espiritual marcado pela contenção, controle, moderação, restrição – o maior dos zelos da construção do “templo” interior, a discrição.

O terreal pai de Jesus com certeza participava de alguma “guilda” de seu tempo, as oficinas sob a orientação de uma hierarquia de mestres.

O patrono dos carpinteiros e construtores, entre as brumas das lendas (do grego légere, dizer, ou “o que foi dito”) que São José teria sido um membro de uma sociedade secreta de construtores ou que ele foi um iniciado em mistérios esotéricos, que foram transmitidos posteriormente a outras ordens.

Dessas ordens que recebem ensinamentos não pelos livros escritos e sim pelas egrégoras: nem tudo está nos livros, o verdadeiro ensinamento é espiritual.

As alegorias e símbolos são as catapultas que revelam segredos que só o reino espiritual pode decifrar.

São José nos dá a retidão, a temperança, a justiça, a maestria e a discrição – virtudes que nos levam a refletir o papel do ser humano na instrução, ensino, pedagogia e formação em qualquer circunstância sob a égide de uma egrégora.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Benilton Cruz
Benilton Cruz é doutor em Teoria e História Literária, professor de alemão e do Curso de Letras-Português e Letras-Libras da UFRA, Campus Belém, autor dos livros: Olhar, verbo expressionista – O Expressionismo Alemão no romance “Amar, verbo intransitivo de Mário de Andrade; Moços & Poetas – Quatro Poetas na Amazônia - Ensaios Sobre Antônio Tavernard, Paulo Plínio Abreu, Mario Faustino e Max Martins; Espólios para uma Poética – Lusitanias Modernistas em Mário de Andrade; pesquisador e perito forense, editor do blog Amazônia do Ben; editor do Canal de Poemas No Meio do Teu Coração Há um Rio, no Youtube. Diretor da Academia Maçônica de Letras do Estado do Pará; e membro eleito da Academia Paraense de Letras.

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