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O Brasil entrou em um patamar inédito na premiação maistream do cinema mundial ao figurar simultaneamente entre as categorias de maior visibilidade artística e técnica do Oscar. A 98ª edição do prêmio, anunciada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas nesta quinta-feira (22), confirmou a indicação do diretor de fotografia Adolpho Veloso, de 37 anos, ao Oscar de Melhor Fotografia pelo filme “Sonhos de Trem” (Train Dreams), produção original da Netflix dirigida por Clint Bentley, enquanto o badaladíssimo “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou quatro nomeações, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, com Wagner Maniçoba Moura (acho um desperdício ocultar o sobrenome materno do divo) se tornando o primeiro homem brasileiro da história indicado na categoria de atuação principal.

Vamos combinar: uma pessoa com “Maniçoba” no nome está predestinada ao sucesso.

A indicação de Adolpho Veloso marca a presença brasuca em uma das categorias técnicas mais concorridas da indústria cinematográfica. Reconhecido pela crítica internacional, o trabalho do diretor de fotografia em “Sonhos de Trem” tem sido descrito pela crítica como elemento central para traduzir visualmente a solidão do personagem e a transformação brutal da paisagem dos Estados Unidos com a expansão das ferrovias no início do século 20.

Veloso chega ao Oscar após uma temporada vitoriosa. Ele conquistou as categorias equivalentes no Critics Choice Awards e no Globo de Ouro, superando nomes consagrados da fotografia mundial, como Claudio Miranda e Łukasz Żal.

A trajetória do fotógrafo combina experiências em produções do cinematográficas como “Rodante” e “El Perfecto David” com incursões na estética de videoclipes da música pop nacional, como “Ameianoite”, de Pabllo Vittar e Gloria Groove. O reconhecimento internacional começou a ganhar força após seu trabalho no documentário “On Yoga, de Heitor Dhalia, que chamou a atenção de Clint Bentley. A parceria entre os dois foi iniciada em “Jockey” (2021) e, agora, alcança grande sucesso com a adaptação do livro de Denis Johnson estrelada por Joel Edgerton.

“O Agente Secreto”, que foi o destaque brasileiro de 2025 em inúmeros festivais e premiações, concorrerá nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Elenco (Casting).

A obra estreou no Festival de Cannes de 2025, conquistando reconhecimento internacional ao ser ovacionado pelo público e garantir prêmios de Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho, Melhor Ator para Moura, o Prêmio da Crítica (FIPRESCI), concedido pela Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica e o Prix des Cinémas d’Art et Essai.

“O Agente Secreto” já levou o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e o de Melhor Ator em Filme de Drama, o Critics Choice Awards 2026 de Melhor Filme Internacional / Melhor Filme em Língua Estrangeira, o New York Film Critics Circle Awards de Melhor Filme Internacional e de Melhor Ator, o Los Angeles Film Critics Association Awards de Melhor Filme Não em Inglês, o Festival de Cine de Lima (PUCP) de Melhor Filme (juri e crítica internacional), o Pingyao International Film Festival de Escolha do Público (Gala-Best Film), o Jerusalem Film Festival de Melhor Filme Internacional, o  Morelia International Film Festival na categoria UNAM Film Library Medal, o Virginia Film Festival de Cinematografia e o Critics’ Choice Awards Celebration of Latino Cinema & Television de Melhor Diretor.

A presença do filme na categoria de Melhor Filme, aberta a produções de todo o mundo, é bastante representativa para o cinema brasileiro, que passa a disputar espaços tradicionalmente dominados por produções estadunidenses e europeias. Ano passado, “Ainda Estou Aqui”, de Fernando Meirelles, foi o primeiro filme brasileiro a ser indicado na categoria considerada principal, a qual não venceu, conquistando apenas o oscar de Melhor Filme Internacional.

Fernanda Torres, que assim como Wagner Moura ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz, foi a segunda brasileira indicada na categoria ao Oscar, depois de sua mãe, Fernanda Montenegro, em 1999, por “Central do Brasil”, também de Fernando Meirelles. As duas não levaram a estatueta. Espero que Wagner saia da curva da frustração tupiniquim e traga o Oscar para casa.

A cerimônia do Oscar 2026 será realizada em 15 de março, no Dolby Theatre, em Los Angeles.

Foto em destaque: Adolpho Veloso / Redes Sociais / Reprodução

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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