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Em Bagre, no arquipélago do Marajó, Joel Barbosa Ribeiro, 27 anos, candidato a vereador pelo PMDB no ano passado sob o apelido “Tio Jó”, foi preso por estupro de vulnerável, ontem. A vítima, uma criancinha de apenas cinco anos de idade, foi violentada ao longo de mais de um ano. Na Delegacia da Mulher do município de Breves, a criança foi amparada pela unidade do Pro Paz, recebeu apoio psicológico e fez exames médicos que comprovaram a violência sexual. Ao ser preso, o maníaco foi flagrado com uma espingarda e também autuado por porte ilegal de arma de fogo.

Tive acesso ao BO lavrado na Delegacia de Polícia Civil de Bagre e fiquei estupefata por nele constar o nome completo e até data de nascimento da criancinha, o que é uma irregularidade gritante que mostra a sua revitimização. Nem é preciso relatar os detalhes sórdidos para evidenciar o terror e a vergonha de uma menina de tão tenra idade vítima desse crime hediondo. Todos os estudos de caso apontam a culpa que a criança carrega por ter participado da vivência abusiva e o medo das consequências da revelação dentro de sua família. Esses pequeninos seres temem o castigo, o descrédito e a não proteção. Ser exposta pelo órgão que deveria garantir a sua segurança é desolador. Os danos psicológicos podem ser de igual ou maior proporção que o próprio abuso sexual sofrido. 

A cada 11 minutos acontece um estupro, no Brasil. E só 10% chegam à polícia. A Comissão Justiça e Paz da CNBB Norte II denuncia essa situação medonha há décadas. Tratando-se de violência, especialmente contra crianças e adolescentes, não há como a Polícia atuar de forma isolada, é preciso trabalhar em rede, integrada com outros serviços. Além dos profissionais de saúde, há que haver a participação dos profissionais da Assistência Social (CRAS e CREAS), do Conselho Tutelar, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Sistema de Justiça (Ministério Público, Poder Judiciário, Defensoria Pública, advogados), e o envolvimento da sociedade como um todo.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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